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Presidente da Costa do Marfim diz não reconhecer eleição de rival

Presidente da Costa do Marfim diz não reconhecer eleição de rival

Atualizado: Terça-feira, 5 Abril de 2011 as 4:38

O presidente da Costa do Marfim, Laurent Gbagbo, disse que não reconhece a vitória eleitoral de seu rival, Alassane Ouattara, recusando assim um pedido do governo da França para que renuncie ao poder.

As declarações foram feitas em entrevista por telefone, às 17h30 GMT (14h30 de Brasília) ao canal francês de TV LCI.

"Eu ganhei as eleições, não estou negociando minha saída", disse. "Ouattara não ganhou as eleições.

Gbagbo contradisse, assim, seu porta-voz, que mais cedo afirmou que ele estava negociando as condições para deixar o poder no país em crise.

O acordo, segundo o porta-voz Ahoua Don Mello, incluiria aceitar uma proposta da União Africana para que o oposicionista Ouattara assuma o poder e também condições de segurança para si e para seus familiares.

O chanceler da França, Alain Juppé, disse que as negociações continuam.     Um documento interno da ONU visto pela agência Reuters afirma que Gbagbo já teria se rendido.

Mais cedo, a casa do governante em Abidjan, principal cidade do país, foi atingida pelo menos 50 vezes por um helicóptero Mi-24 das Nações Unidas. Segundo o ministro das Relações Exteriores Alcide Djedje, que abandonou o regime, o presidente Gbagbo estaria na casa com a família e membros do governo e do gabinete.

A atual onda de violência que tomou conta do país começou em novembro do ano passado, depois das eleições presidenciais. A ONU confirmou a vitória do oposicionista Ouattara no pleito, mas Gbagbo recusou-se a aceitar a derrota, reavivando uma guerra civil que a eleição pretendia encerrar.

Forças internacionais lançaram ataques ao país na segunda-feira, após as tentativas de persuadir Gbagbo a sair pacificamente terem esgotado. Uma resolução do Conselho de Segurança da ONU autorizou-os a tirar o de arsenal Gbagbo, que estava sendo usado para atacar civis.     Combates assolaram novamente na terça-feira a base militar de Akban, que havia sido alvejada por forças francesas e da ONU.

O porta-voz oficial do governo, Don Ahou Mello, também confirmou que um grande campo militar havia sido destruído durante um ataque de segunda-feira. Mello disse que Gbagbo "ainda está em Abidjan", mas se recusou a especular sobre se ele estava pensando em renunciar.

'Situação dramática'

A situação humanitária em Abidjan, capital econômica da Costa do Marfim, se tornou "absolutamente dramática" para os civis presos em meio aos combates, afirmou a ONU.     "A maioria dos hospitais não funcionam, falta oxigênio... Quanto às ambulâncias, também não funcionam e quando funcionam são alvos de tiros", declarou Elisabeth Byrs, porta-voz do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários.

"Chegar até a população civil é impossível pelos problemas de segurança", completou Elisabeth, antes de afirmar que corpos estão nas ruas há vários dias.

União Africana

O Conselho de Paz e Segurança da União Africana condenou os abusos cometidos na Costa do Marfim.

"O Conselho lamenta a perda de muitas vidas, condena a violação dos direitos humanos e outros abusos no contexto do conflito militar, e reitera o imperativo da proteção da população civil", afirma o comunicado.

Mais cedo, o presidente de turno da União Africana (UA), o chefe de Estado da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang Nguema, condenou nesta terça-feira as intervenções estrangeiras na Costa do Marfim e na Líbia.

"Nesse momento estão sendo registradas grandes perdas humanas na Costa do Marfim", declarou, explicando que a UA está exercendo pressões para que Alassane Ouattara, que tem o apoio da comunidade internacional, seja reconhecido como presidente da Costa de Marfim.

"Mas isso não implica uma guerra, não implica uma intervenção de uma força estrangeira".

Teodoro Obiang Nguema também rejeitou a intervenção militar estrangeira na Líbia.

"A África não precisa de uma influência estrangeira. A África deve cuidar de seus próprios assuntos. Os problemas africanos não podem ser resolvidos do ponto de vista europeu, americano ou asiático", concluiu.      

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