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Presidente do Quirguistão pede garantias de segurança para renunciar

Presidente do Quirguistão pede garantias de segurança para renunciar

Atualizado: Terça-feira, 13 Abril de 2010 as 12

O presidente deposto do Quirguistão, Kurmanbek Bakiyev, disse nesta terla-feira, dia 13, que renunciará ao cargo caso a sua segurança e a de sua família sejam garantidas. O pronunciamento foi feito pouco após o governo provisório que assumiu o comando daquele país ter anunciado a supressão de sua imunidade presidencial.

"Renunciarei ao cargo se minha segurança e a dos meus parentes queridos for garantida", disse Bakiyev em uma entrevista coletiva realizada na região de Jalal-Abad, no sul do país, onde está refugiado desde sua deposição. A informação partiu de agências russas em Bishkek.

O novo governo, comandado pela antiga oposição, emitiu uma ordem de busca e captura contra Zhanish Bakiyev, irmão do líder deposto e chefe do Serviço de Segurança Estatal do país. Ele é acusado de ter ordenado abrir fogo contra manifestantes durante os distúrbios contra o governo no dia 7 de abril, na capital Bishkek.

O governo também estuda processar por corrupção Maxim Bakiyev, filho mais novo do presidente deposto, que controlava pessoalmente as finanças do país, o mais pobre da Ásia Central.

Bakiyev e seus irmãos Zhanish e Ajmat se encontram na cidade de Markai, na região sudoeste de Jalal-Abad, enquanto Maxim poderia estar na Letônia, informou o "Baltic News Service".

Além de garantias de segurança, Bakiyev impôs como outra condição para sua renúncia que as novas autoridades do Quirguistão "restabeleçam a ordem" e retirem as armas de "vândalos que circulam pelas ruas da capital e de outras cidades" desde o início dos distúrbios.

Bakiyev insistiu em que sua deposição foi "um golpe de Estado perpetrado por estruturas criminosas" e disse que "é hora de as Nações Unidas e a Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) abrirem uma investigação independente".

"Acredito que isso não interessava muito à Rússia. (O primeiro-ministro Vladimir) Putin é um homem sério e não vai tomar decisões precipitadas", disse.

O presidente deposto também convidou a chefe do governo provisório criado pela oposição, Rosa Otunbayeva, a Jalal-Abad para manter negociações.

"Para Bishkek eu não vou. Que Otunbayeva venha para negociarmos. Garantimos sua segurança", disse Bakiyev, que conta com muitos partidários no sul do país.

Representantes do governo provisório reagiram de formas diferentes às condições apresentadas por Bakiyev.

"Estamos dispostos a garantir sua segurança e a de sua família", disse Keneshbek Diushevayev, chefe dos serviços de segurança.

Já o vice-primeiro-ministro, Azimbek Beknazarov, que anunciou que as novas autoridades decidiram suprimir a imunidade do presidente deposto, rejeitou a proposta de Bakiyev.

"Não acreditamos nele. Muda de opinião toda hora. Que venha aqui e responda à Justiça", disse.

Enquanto isso, o porta-voz do governo provisório, Edil Baisalov, ressaltou que as novas autoridades "não mantêm negociações com um ditador sanguinário".

"Não precisamos dele para nada. Não temos que concordar com Bakiyev", afirmou.

Horas antes, o vice-primeiro-ministro tinha assegurado que se Bakiyev não se entregasse, as forças de segurança iniciariam "uma operação para detê-lo", segundo a agência Fergana.

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