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Presidente é maior perdedor na crise no Equador, afirma líder da oposição

Presidente é maior perdedor na crise no Equador, afirma líder da oposição

Atualizado: Terça-feira, 5 Outubro de 2010 as 11:08

Um dia antes do fim do estado de exceção decretado pelo presidente do Equador, Rafael Correa, para conter um levante policial que deixou 10 mortos e centenas de feridos no país , o governo anunciou que não tentará aprovar mais a chamada “morte cruzada”, medida que permitiria ao presidente dissolver a Assembleia Nacional e convocar novas eleições, e uma revisão na polêmica lei dos serviços públicos, estopim dos protestos de policiais e militares.

Para o parlamentar Gilmar Gutiérrez, líder da principal força de oposição do Equador, o Partido Sociedade Patriótica, o recuo representa o reconhecimento do presidente de que não obteve o apoio popular que esperava para promover as mudanças.

O anúncio, afirma, ocorre “depois do 30 de setembro, quando o presidente Correa sequestrou os meios de comunicação por mais de sete horas, e só havia uma versão [dos fatos] que era a do governo, em que ele convocava e exortava os equatorianos para que fossem ao hospital onde ele se encontrava detido”.

“Nem sequer as lágrimas do presidente fizeram as pessoas irem para lá. Não chegaram. Não havia mais que 500 pessoas entre simpatizantes e correligionários do presidente que foram até o hospital. Isso é o que pode tê-lo feito retroceder em sua intenção, na sua ameaça da ‘morte cruzada’, já que não há respaldo para fazê-lo”, diz o parlamentar. O comunicado divulgado pela ministra da Coordenação Política, Doris Soliz, no domingo, ocorreu apenas um dia depois de Correa ter reiterado que não mudaria “um só artigo” na lei que retira gratificações e promoções de policiais e militares.

Gilmar Gutiérrez rechaça a versão de alguns analistas de que Correa teria saído fortalecido da crise, já que obteve o apoio de organismos internacionais como o Unasul e OEA após denunciar o que ele classificou como uma tentativa de golpe.

“Respeito essas avaliações, mas minha análise é que aqui no país temos dois perdedores: um é justamente o país inteiro e o outro grande perdedor é Rafael Correa”, afirma. “Tiveram que resgatá-lo as Forças Armadas e não a população. Tiveram que montar uma operação com os militares, que são mal pagos, atirando contra policiais igualmente mal pagos e pobres. Então o resultado dessa aventura do presidente Correa foi um enfrentamento entre o povo pobre que ele diz apoiar e uma perda lamentável de vidas humanas.”

A despeito da promessa de rever a lei, no entanto, Gutiérrez acredita que o presidente praticamente já conseguiu promulgá-la, já que terminou na segunda o prazo para que os parlamentares rejeitassem ou acatassem o veto do presidente no Parlamento –que só volta a funcionar nesta terça (5).

“É um passo grande que [o presidente] dá em sua intenção de concentrar todo poder”, disse o parlamentar ao comentar que, para além das medidas que afetam os policiais e militares, a lei traz um artigo que submete todos os servidores públicos ao ministro das Relações Trabalhistas.

“Com isso, pois, se acaba a independência das funções em nosso país, porque mina a autonomia de outras funções do Estado e isso era o que perseguia o presidente da República. A democracia deste país está ameaçada por esse governo”, critica.

Sobrinha em resgate

Irmão do presidente deposto Lucio Gutiérrez, Gilmar Gutiérrez confirmou ao G1 que uma das filhas do ex-presidente, a subtenente do Exército equatoriano Karina , participou da operação de resgate de Rafael Correa do hospital onde ficou por mais de dez horas cercado pelos policiais rebelados.

Segundo o parlamentar, o irmão, que é coronel reformado e vive no Brasil, “ficou orgulhoso que a filha tenha cumprido sua missão nas Forças Armadas”. Uma mensagem divulgada pela mídia equatoriana em que Karina relata ao pai sobre a participação na operação é autêntico, segundo o tio.

Opositores ferrenhos do governo de Correa, os Gutiérrez foram acusados pelo presidente de tramarem os protestos policiais para desestabilizar seu governo.

Postado por: Guilherme Pilão

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