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Préval tentou 'orquestrar' eleições no Haiti, dizem documentos vazados

Préval tentou 'orquestrar' eleições no Haiti, dizem documentos vazados

Atualizado: Sexta-feira, 3 Dezembro de 2010 as 10:18

O presidente do Haiti, René Préval, tentou orquestrar a transição política no Haiti e, assim, evitar ser forçado ao exílio, de acordo com um documento dos Estados Unidos divulgado pelo site Wikileaks.

Préval, cujo mandato expira no início de 2011, expressou sua preocupação a autoridades do governo americano de que seu sucessor não permita que ele volte a sua vida privada no Haiti, de acordo com uma correspondência datada de junho de 2009 e assinada por Janet Sanderson, embaixadora de Washington, em Porto Príncipe na época.

A publicação deste telegrama na quarta-feira faz parte de uma divulgação de 250 mil documentos diplomáticos secretos que estão vazando dos Estados Unidos desde o último domingo pelo site Wikileaks.

O documento chega em um momento crucial para o Haiti, que atualmente trabalha na contagem de votos da eleição de domingo passado.

"Amigos próximos especulam que muitas das ações de Preval no ano passado... são por causa de seu verdadeiro temor de que a política o proíba de voltar à vida privada no Haiti após sua presidência", afirma o documento.   "Por isso, argumentam, seu objetivo principal é orquestrar a transição presidencial de 2011, que irá garantir que quem for eleito permita que ele volte para casa sem impedimentos".

Sanderson escreveu que, "segundo nossas conversas, este é realmente um assunto que ocupa um lugar importante para Préval".

"Em várias ocasiões, ele me disse que estava preocupado com a sua vida após a presidência, que não iria sobreviver no exílio".

O documento, escrito sete meses antes do terremoto que, em janeiro de 2010, matou 250 mil pessoas e deixou mais de 1,3 milhão de desabrigados, poderia alimentar os argumentos da oposição, que alegou fraudes em benefício do candidato do partido no poder (Inité), Jude Celestin.

O Haiti foi assolado por ditaduras e agitação política, o que fez com que diversos líderes fossem forçados ao exílio nos últimos anos, incluindo o primeiro presidente eleito democraticamente, Jean-Bertrand Aristide.

A correspondência de Sanderson descreve Préval como um homem que tem um "caráter camaleônico, (o que) torna difícil lidar com o presidente", e acrescenta que ele é "céptico" sobre os objetivos da comunidade internacional com a ilha.    

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