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Promoção de chefe de polícia foi "bofetada", diz família de Jean Charles

Promoção de chefe de polícia foi "bofetada", diz família de Jean Charles

Atualizado: Sexta-feira, 28 Maio de 2010 as 4:55

A família do brasileiro Jean Charles de Menezes, vítima mortal de um erro policial em Londres, em 2005, classificou nesta sexta-feira de ''última bofetada'' a designação do chefe de Ian Blair - chefe da Scotland Yard [polícia metropolitana] na época - à Câmara dos Lordes.

''A nomeação de Blair nos deixa indignados'', declarou, em Londres, a prima de Jean Charles Vivian Figueiredo, de 27 anos.

''Como chefe da polícia londrina, acreditamos que Ian Blair era, em última instância, responsável pela morte de Jean, pelas mentiras ditas e por ter tentado encobrir o caso'', acrescentou ela em uma nota.

A administração de Ian Blair, que se demitiu do cargo na Scotland Yard no final de 2008, esteve marcada pelo caso do eletricista brasileiro, morto pela polícia com sete tiros na cabeça no metrô, ao confundi-lo com um terrorista, em julho de 2005.

Uma investigação judicial em 2008 apontou numerosas falhas na atuação policial, mas o veredicto permaneceu inconclusivo. Apesar de várias revisões do caso, nenhum agente foi processado ou punido.

A assessoria do primeiro-ministro britânico, David Cameron, anunciou nesta sexta-feira uma cadeira vitalícia para Ian Blair entre mais de 50 novas nomeações à Câmara dos Lordes.

Erro trágico

Jean foi morto depois que agentes policiais o confundiram com Hussain Osman. Ele e outros três cúmplices tinham escapado depois dos ataques terroristas frustrados de 21 de julho de 2005, uma ação que tentava repetir os atentados de 7 de julho, que mataram 52.

No inquérito sobre o caso, o júri apontou uma sucessão de erros da polícia --entre eles, a falha em avisar Jean Charles verbalmente antes de atirar contra o brasileiro. A versão policial de que o brasileiro teria corrido contra os policiais também foi descartada. No entanto, o júri considerou que não havia provas suficientes de que Jean Charles foi morto em ação ilegal.

O julgamento de três meses ocorreu após investigação da IPCC (Comissão Independente de Queixas da Polícia) que custou 300 mil libras (R$ 859 mil) e um julgamento de custo estimado em 1 milhão de libras (cerca de R$ 2,8 milhões), no qual a polícia foi considerada culpada e multada em 175 mil libras (cerca de R$ 500 mil).

Os custos do julgamento são estimados em 8 milhões de libras (cerca de R$ 22 milhões).

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