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Protestos antigoverno deixam mais mortos no Iêmen

Protestos antigoverno deixam mais mortos no Iêmen

Atualizado: Sexta-feira, 18 Fevereiro de 2011 as 3:55

A repressão a protestos antigoverno no Iêmen provocaram mais mortes no Iêmen, onde manifestantes protagonizam protestos em pelo menos três cidades.

Em Aden, no sul do país, ao menos três manifestantes antigoverno foram mortos na dispersão de protestos. Inspirados nos levantes da Tunísia e Egito, os protestos pedem o fim do regime de Alí Abdalá Saleh, no poder desde 1978.

Em Taiz, a 270 km ao sul da capital Sanaa, a explosão de uma granada contra outra manifestação nesta sexta deixou dois mortos e 27 feridos, segundo médicos. O ataque ocorreu quanto centenas de pessoas se manifestavam no centro da cidade após as orações de sexta-feira, tradicional para os muçulmanos.

Foi o 7º dia consecutivo de manifestações em uma praça de Taiz, rebatizada pelos manifestantes de Praça da Liberdade em referência ao local que foi símbolo dos protestos que levaram à queda de Hosni Mubarak no Egito.

Testemunhas disseram que a granada foi atirada de um veículo com placa oficial.     Várias ambulâncias foram para o local. Os manifestantes culparam o governo, que acusam de estar por trás do ataque

"Abaixo o ditador, abaixo a opressão", gritavam os manifestantes.

Pelo menos 10 mil seguidores de Saleh também saíram às ruas do movimentado bairro comercial da cidade.

Saleh, aliado dos EUA no combate à Al Qaeda, já fez várias concessões para tentar acabar com os protestos no país, um dos mais pobres do mundo árabe.

'Próximo Mubarak'

Em Sanaa, milhares de simpatizantes da oposição saíram pela rua da Universidade, gritando "Você é o próximo depois de Mubarak, Ali", e empunhando cartazes que pediam: "Saia, saia pelo bem do nosso futuro".

Perto da universidade, centenas de partidários do presidente gritavam: "Não ao caos, não à sabotagem". Um pequeno grupo saiu de lá e atacou rivais com paus e pedras.

A TV estatal disse que 1 milhão de pessoas se reuniram em Taiz, para manifestar apoio a Saleh, de 68 anos, que governa o Iêmen há mais de três décadas.     "Sim à unidade e à estabilidade, não ao caos e à sabotagem", gritavam os governistas, ecoando uma declaração feita por Saleh poucos dias antes, quando ele criticou a 'agenda estrangeira' que estaria estimulando protestos para levar o caos ao mundo árabe.

Na praça Hurriya, barracas foram montadas para oferecer atendimento médico e comida, e grupos organizados tentavam impedir a entrada de partidários do governo no local.

Taiz é uma cidade com uma considerável classe média e com habitantes oriundos tanto do norte quanto do sul do país. Por isso, analistas dizem que ela serve como barômetro para os protestos no Iêmen, que começaram há cerca de um mês, inspirados na rebelião da Tunísia, e ganharam força após a queda de Mubarak no Egito.

"Sanaa é importante, mas se Taiz realmente continuar, essa coisa pode decolar", disse Gregory Johnsen, acadêmico da Universidade Princeton, em seu blog sobre o Iêmen, o Waq al Waq.

Uma coalizão de partidos da oposição aceitou uma oferta de diálogo com Saleh, que prometeu deixar o cargo em 2013 e não transferir o poder ao seu filho. Isso não evitou, no entanto, que protestos continuassem a ser convocados espontaneamente por estudantes e outros grupos, que se mobilizam por meio de mensagens de celular e do Facebook.

Além dos protestos, Saleh enfrenta também uma forte insurgência da Al Qaeda, além de rebeliões xiita no norte do país e um movimento separatista no sul.      

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