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Protestos continuam no Egito; país aguarda novo governo

Protestos continuam no Egito; país aguarda novo governo

Atualizado: Sábado, 29 Janeiro de 2011 as 8:47

Os dezenas de milhares de manifestantes que desde a terça-feira protestam pela saída do ditador Hosni Mubarak, há 30 anos no comando do Egito, não diminuíram a intensidade dos protestos no Cairo na manhã deste sábado. Em meio à expectativa do anúncio de um novo governo, ao menos 26 já morreram em diversas cidades.

Também na manhã de hoje as linhas de telefone ceular, que tinham sido bloqueadas desde a manhã de sexta-feira, começaram a ser restabelecidas pouco depois das 10h locais (6h de Brasília), informa a agência Efe.

Nas ruas do Cairo, quando foi restabelecida a comunicação, os egípcios usaram os celulares para realizar as primeiras chamadas e para enviar e receber mensagens de texto.

A rede, no entanto, ainda sofre problemas, provavelmente devido ao congestionamento das linhas. Já o acesso à internet permanece bloqueado.

Ainda na noite de ontem Mubarak fez um pronunciamento à nação dissolvendo todo o gabinete e prometendo anunciar um novo governo neste sábado.

"Pedi ao governo para renunciar e formarei um novo governo", afirmou o ditador no pronunciamento transmitido pela TV.

No discurso, ele prometeu ainda mais liberdade aos cidadãos, mas disse que as forças de segurança continuarão a agir para "garantir a segurança e evitar o caos no país".

"Como presidente desse país, garanto que estou protegendo as pessoas e garantindo liberdade, desde que respeitem a lei. Há uma linha tênue entre liberdade e caos, e estou pronto para garantir a liberdade das pessoas, mas também a segurança do Egito", disse Mubarak.

"Não vou permitir que nada aconteça que comprometa a paz, a lei e o futuro do país. O Egito é o maior país da região, temos que ter cuidado com atos que levem ao caos, não podemos permitir isso", acrescentou o ditador.

Mubarak afirmou ainda que as demonstrações mostram que as pessoas querem "mais empregos, preços mais baixos, menos pobreza". "Sei que todas essas questões sao necessárias, e trabalho por elas todos os dias. Mas não posso permitir saques e incêndios em locais publicos", afirmou.

"O que aconteceu nos últimos dias assustou as pessoas e trouxe insegurança a respeito do futuro. Assumo a responsabilidade pela segurança desse país e dos cidadãos, protegerei o Egito", disse ainda o ditador.

OBAMA

O presidente americano, Barack Obama, disse em pronunciamento na Casa Branca nesta sexta-feira que o ditador egípcio, Hosni Mubarak, deve cumprir as promessas feitas hoje à nação e dar "passos concretos" pela reforma política do país, pela promoção da democracia.

"O que é necessário agora são passos concretos para o avanço dos direitos do povo egípcio. Falei com ele [Mubarak] depois do discurso, e disse que agora ele tem a responsabilidade de dar sentido a essas palavras", disse Obama no discurso na Casa Branca.

No pronunciamento, Obama pediu ainda que as autoridades egípcias evitem usar a violência contra manifestantes pacíficos. O presidente americano telefonou para Mubarak pouco antes de falar na Casa Branca, e conversou com o ditador por cerca de 30 minutos.

O líder dos EUA disse ainda que é preciso haver maior diálogo entre autoridades e cidadãos no Egito. "O futuro do país será determinado pelo povo egípcio, que ama as mesmas coisas que nós [americanos], quer um mundo melhor para seus filhos e um governo responsável", afirmou ainda Obama.

Obama também afirmou que "governos no mundo todo têm a responsabilidade de dar resposta aos seus cidadãos". "Isso acontece em todo lugar do mundo, na América, na África, na Ásia, no mundo árabe", acrescentou.

"Quando estive no Cairo, eu disse que todo governo deve ser mantido pelo consenso, não pela coerção. Dias difíceis virão, mas os EUA continuarão a ser parceiros do Egito", disse o presidente.

CAOS

No Cairo, mais de 300 pessoas foram presas e 120 ficaram feridas na sexta-feira, segundo disseram fontes dos serviços de segurança citadas pela agência de notícias Efe.

As fontes relataram que os protestos chegaram até a bairros residenciais do Cairo, incluindo o de Roxy, próximo ao condomínio residencial onde vive o presidente egípcio, Hosni Mubarak, no poder desde 1981.

Houve protestos também no bairro de Maadi, na periferia da capital, habitado por muitos estrangeiros que trabalham em embaixadas ou empresas internacionais.

No distrito de Mohandiseen, ao menos 10 mil pessoas marchavam para o centro da cidade - uma multidão que chegou a 20 mil depois de passar áreas residenciais.

TOQUE DE RECOLHER

Na noite desta sexta-feira, os manifestantes desafiam o toque de recolher ordenado pelo governo e continuam nas ruas do Cairo e de Alexandria, apesar da presença de tanques que tentam assegurar o fim dos distúrbios.

A medida - inicialmente imposta às cidades do Cairo, Alexandria e Suez - foi ampliada nesta sexta-feira para todo o país e será aplicado das 18h (14h em Brasília) até as 7h (3h em Brasília). O objetivo é conter as dezenas de milhares de pessoas que foram às ruas de várias localidades pedindo a queda de Mubarak.

Foi a medida mais drástica até o momento para conter as manifestações. Mesmo antes do anúncio, o Exército já enviara veículos blindados para as ruas do Cairo - centro dos protestos.

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