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Refinarias e escolas param na França contra a reforma da aposentadoria

Refinarias e escolas param na França contra a reforma da aposentadoria

Atualizado: Sexta-feira, 15 Outubro de 2010 as 9:59

As doze refinarias da França se encontram em greve nesta sexta-feir (15), em alguns casos temporariamente, depois que se uniram à paralisação as instalações de Gravenchon (norte) e de Reichstett (leste), informaram os sindicatos franceses.

A refinaria de Gravenchon entrou em greve na noite de quinta-feira, informou a direção do grupo americano Esso.

Em Reichstett, que pertence ao grupo suíço Petroplus, a greve começou ao meio-dia (7h de Brasília).   As seis refinarias do grupo francês Total estão paralisadas desde terça-feira, em um protesto ligado ao conflito entre governo e sindicatos sobre a reforma do sistema de aposentadoria.

Na refinaria da Petroplus de Petit-Couronne, norte do país, a paralisação teve início na quinta-feira.

A instalação da Esso em Fos (sul) foi afetada pelo bloqueio dos terminais de petróleo do porto de Marselha e pela greve contra a reforma da aposentadoria.

As refinarias da holandesa LyondBasell (antiga Shell) e da britânica Ineos também estão em greve, segundo fontes sindicais.

O oleoduto que fornece combustível aos aeroportos de Paris, incluindo Orly e Roissy, os de maior movimento, interrompeu as operaçõesem consequência da falta de derivados de petróleo, anunciou a empresa Trapil, administradora da instalação.

No entanto, a Trapil informou que o aeroporto de Orly tem um estoque para 17 dias e o de Roissy para, no mínimo, o fim de semana.

O oleoduto está paralisado porque não foi abastecido a partir da refinaria de Grandpuits, no departamento de Seine et Marne (leste de Paris).

De acordo com o sindicato CGT, a paralisação da refinaria de Grandpuits estava prevista para esta sexta-feira. Sem hidrocarbonetos, uma refinaria demora de dois a cinco dias para interromper as operações, informou o grupo petroleiro Total durante a semana.

Estudantes

As manifestações estudantis também aumentavam no país. Segundo o Ministério da Educação, ontem havia 340 escolas de Ensino Médio afetadas por essas mobilizações, mas os sindicatos de estudantes garantem que eram mais de 500.

A Sociedade Nacional de Estradas de Ferro (SNCF) informou que o número de trens que circulariam é superior ao de ontem. A previsão era uma média de dois terços dos trens de alta velocidade (TGV) com saída ou chegada a Paris e a metade dos trens de grande trajeto, regionais e locais.

Uma porta-voz da SNCF confirmou que, na noite passada, não funcionaram os trens que conectam Paris com Barcelona e Madri, nem os que passam pela França provenientes de Barcelona com destino à Itália ou Suíça.

A direção da SNCF ferroviária tinha contabilizado ontem 20,3% de grevistas (a CGT, principal sindicato, registrava 31,25%), número inferior aos 24% de quarta-feira e, sobretudo, aos 40% de terça-feira, quando começou a paralisação.

O principal sindicato das transportadoras, a CFDT, convocou bloqueios nas estradas e "operações caracol", pela qual caminhões desaceleram a circulação nos principais eixos viários.

As manifestações em todo o país são decorrentes da reforma previdenciária, que aumenta de 60 para 62 a idade mínima de aposentadoria e de 65 para 67 a idade com direito à previdência completa.

Enquanto o Senado continua a tramitação do projeto de lei sobre previdência - o voto definitivo deveria ocorrer na próxima quarta-feira, o governo francês tem de enfrentar também as manifestações de muitos estudantes, que aderiram ao movimento com protestos que causaram ontem incidentes, deixando feridos em várias cidades da França.

Um dia antes de uma nova jornada de manifestações, marcadas para este sábado, e de uma nova greve geral convocada para a terça-feira da semana que vem, o líder da oposição socialista, Martine Aubry, pediu ao presidente francês, Nicolas Sarkozy, que suspenda a reforma para modificar seu conteúdo, que considera injusto.    

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