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Repórter brasileiro relata momentos de tensão no Egito

Repórter brasileiro relata momentos de tensão no Egito

Atualizado: Sexta-feira, 4 Fevereiro de 2011 as 2:28

O repórter Corban Costa e o cinegrafista Gilvan Rocha, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), chegam na manhã deste sábado (5) ao Brasil após terem sido detidos por policiais no Egito. Eles viajaram ao Egito a fim de fazer a cobertura dos protestos contra o presidente Hosni Mubarak, mas no trajeto entre o aeroporto e o hotel, o táxi com os dois foi parado em uma barreira policial. Eles foram foram levados à delegacia e tiveram os passaportes e os equipamentos apreendidos.  

Em entrevista à Agência Brasil, Corban disse que conseguiu sair do Egito e chegar a Paris. Eles embarcam ainda nesta sexta para o Brasil. Corban disse que ele e Gilvan só conseguiram dormir durante o voo para Paris, pois enquanto estavam no aeroporto egípcio temiam pela própria segurança, cercados por policiais e militares armados.

Corban relatou que foi preso  junto com uma equipe de televisão francesa. Segundo ele, essa  equipe foi presa e apanhou duas vezes. "Conosco isso não aconteceu. Não houve agressões verbais ou físicas na prisão nem fora dela, exceto um policial que nos colocou em uma van de uma maneira um pouco mais incisiva". Para ser liberado, Corban teve que assinar um documento em árabe, no qual, de acordo com a tradução do policial, concordava em deixar o Egito imediatamente.

O jornalista disse que teve medo de morrer. "Isso passa, sim, pela cabeça porque colocam venda nos olhos, levam a gente para um lugar desconhecido, depois tiram as vendas e nos deixam a mercê da própria sorte. Ninguém fala nada a não ser um interrogatório. Passei 18 horas em uma sala mínima que não havia água nem banheiro, só duas cadeiras e uma mesa. Nessa mesma sala estavam o Gilvan e um estudante alemão, que foi preso porque fotografou a manifestação com uma máquina amadora".

Corban disse que recebeu auxílio da embaixada brasileira. "O tempo todo o embaixador do Brasil no Egito, Cesario Melantonio Neto, esteve em contato conosco e nos ajudou. Ele nos orientou sobre como deixar o país, também prometeu providenciar o envio do equipamento que foi apreendido pelos policiais egípcios. Mas ele próprio reconheceu que estava com dificuldades, pois o governo Mubarak está todo desmantelado, há um caos administrativo no Egito".    

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