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'Saída é esperar', diz tia de brasileira desaparecida em tufão

'Saída é esperar', diz tia de brasileira desaparecida em tufão

Atualizado: Quinta-feira, 22 Setembro de 2011 as 3:34

“A gente não tem muita esperança de encontrá-la viva. A única saída é esperar”, afirma Odete Jati de Alencar, tia que criou a brasileira Erika Inomata, de 34 anos, desaparecida desde quarta-feira (21) após cair em um rio durante a passagem do tufão Roke pelo Japão. Em Santarém, no Pará, ela e uma filha da brasileira, de 17 anos, esperam notícias sobre as operações de resgate.

Erika estava com o colega Marcos Kanematsu em um carro indo para o trabalho em Ninobo, a 170 quilômetros a sudoeste da capital, Tóquio, quando decidiram seguir a pé por uma ponte por causa do trânsito. Eles caíram em um vão de uma altura de dez metros no rio. Marcos foi arrastado por 300 metros pela água até ser localizado , na noite de quarta. Na manhã desta quinta, ele finalmente foi resgatado de helicóptero. Erika ainda é procurada pelas autoridades japonesas.

Na cidade natal de Erika, Santarém, no Pará, Odete, mãe de criação, e uma das filhas de Erika, Sâmela, de 17 anos, aguardam notícias da brasileira, que está no Japão há 16 anos. “A última vez que falei com ela foi ano passado, quando ela ligou perto do meu aniversário. Fiquei sabendo pelo G1. Não temos contato com ela lá”, diz a filha.     Quando Erika foi para o Japão, Sâmela tinha um ano, conta Odete. O pai mora em Parintins, no Amazonas, e a mãe faleceu. Ainda segundo a tia, a brasileira morava com outros dois filhos no Japão, e tinha mais uma filha, que é criada por uma avó em São Paulo.

“Ela cresceu em Santarém, depois foi passar uns tempos em Manaus com uns tios, que levaram ela para o Japão, ela foi com 17 anos”, conta Odete, que se diz animada com a notícia de um tio estaria acompanhando as buscas pela brasileira. “A única saída é aguardar, é tão longe”, afirma Odete, que não vê a filha há cerca de dois anos. “Ela cortou a comunicação, e a gente não se falou mais.”

Ainda segundo a mãe de criação da brasileira, uma das irmãs de Erika também foi vítima de uma tragédia no Japão, no início deste ano, o tsunami que atingiu o país em março. “Ela morava lá, mas agora está em São Paulo fazendo tratamento por causa da radiação”, conta.

Soldados resgatam um cão e uma mulher em uma

vila inundada após passagem do tufão ‘Roke’

em Koriyama. (Foto: Reuters)

  Resgate

"Eu escutei ela gritando na hora que nós caímos. Na hora que eu consegui colocar a cabeça fora da água, eu escutei ela gritando umas três vezes, depois eu não escutei mais nada", relatou o amigo de Erika por telefone ao correspondente da TV Globo em Tóquio, Roberto Kovalick.

Marcos Kanematsu foi resgatado por um helicóptero. Equipes da polícia e dos bombeiros prosseguem as buscas por Erika. "Ela gritou meu nome. Não dava para enxergar nada ali, a onda, não dava para fazer nada", disse ele.

O tufão provocou o cancelamento de 624 voos e de muitos serviços ferroviários, incluindo o trem-bala na movimentada linha que une Tóquio a Osaka, na qual 120 mil pessoas ficaram presas durante horas nas estações.

Além disso, 314 pessoas ficaram feridas em 22 províncias devido aos fortes ventos e às chuvas torrenciais do tufão.          

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