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Saúde interrompe interrogatório de acusado de genocídio na Sérvia

Saúde interrompe interrogatório de acusado de genocídio na Sérvia

Atualizado: Quinta-feira, 26 Maio de 2011 as 4:45

O interrogatório do general Ratko Mladic, acusado de crimes de guerra na Bósnia, teve de ser interrompido nesta quinta-feira (26) por causa de seu estado de saúde, segundo fontes do tribunal de guerra da Sérvia.

Mladic, de 68 anos, foi preso na madrugada desta quinta. Considerado o homem mais procurado da Europa, ele atuou como chefe do Exército da Sérvia durante a Guerra da Bósnia.

Na chegada ao tribunal em Belgrado, Mladic parecia abatido.

A audiência deve ser retomada na sexta.

O general Ratko Mladic chega a tribunal em Belgrado nesta sexta-feira (26), horas após sua prisão sob acusação de crimes de guerra (Foto: Reuters)

  "Detivemos Ratko Mladic hoje [quinta-feira] de manhã. O processo de extradição está em curso", afirmou o presidente Boris Tadic, aludindo à transferência do ex-comandante para ser julgado pelo tribunal de Haia. Até a prisão desta quinta, Mladic era o principal acusado de crimes de guerra foragido desde o conflito dos Bálcãs, nos anos 1990.

O general Ratko Mladic fotografado próximo a bandeira da ONU em 17 de maio de 1993 (Foto: Jerome Delay / AP)

  Segundo o presidente, Mladic foi preso na Sérvia. "Isto remove um fardo pesado da Sérvia e fecha uma página infeliz da nossa história", disse.     Comandante das forças sérvias durante a guerra da Bósnia (1992-1995), Mladic foi indiciado pela corte internacional de crimes de guerra em 1995 sob a acusação de genocídio no massacre de 8 mil muçulmanos em Srebrenica e o cerco de 43 meses a Sarajevo.

Ele foi preso no vilarejo de Lazarevo, perto da pequena cidade de Zrenjanin, no nordeste do país, a cerca de 100 quilômetros da capital Belgrado, informou um oficial de polícia.

Sobreviventes muçulmanos bósnios disseram que a notícia causa um sentimento misto.

"Estou feliz por estar vivo para testemunhar sua prisão, e ao mesmo tempo lamento muito que outras vítimas de Srebrenica não viveram para testemunhar este momento", disse Munira Subasic, que perdeu o filho e o marido quando soldados servo-bósnios sob o comando de Mladic tomaram Srebrenica, designada na época como "área segura pela ONU".

Autoridades informaram que o homem foi detido com documentos no nome de Milorad Komadic e que sua prisão aconteceu graças a uma denúncia anônima.

União Europeia

A demora na prisão do ex-general sob acusações de genocídio era tida como um entrave aos esforços da Sérvia para ingressar na União Europeia.

O primeiro-ministro da Holanda, Mark Rutte, disse nesta quinta, no entanto, que a prisão de Mladic é uma importante condição para a entrada da Sérvia no grupo, mas não significa sua automática adesão.

A Holanda foi um dos principais países membro da União Europeia a exigirem a prisão de Mladic antes da Sérvia ser aceita como parte do grupo.

Tribunal

A chefe das Relações Exteriores da União Europeia (UE), Catherine Ashton, elogiou a prisão do ex-general e disse que ele deveria ser enviado ao tribunal para crimes de guerra sem demora.

"Esse é um passo importante para a Sérvia e para a Justiça internacional", disse Ashton em comunicado nesta quinta-feira.

"Esperamos que Ratko Mladic seja transferido para o Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia (TPII) sem demora. A total cooperação com o TPII segue sendo essencial para o caminho da Sérvia rumo a seu ingresso na UE", afirmou.          

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