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Secretário do Vaticano liga pedofilia à homossexualidade, e não ao celibato

Secretário do Vaticano liga pedofilia à homossexualidade, e não ao celibato

Atualizado: Terça-feira, 13 Abril de 2010 as 12

O cardeal Tarcisio Bertone, secretário de Estado do Vaticano, disse nesta segunda-feira, dia 12, que os casos de pedofilia têm mais relação com a homossexualidade do que com o celibato.

"Muitos psicólogos e psiquiatras demonstraram que não há ligação entre celibato e pedofilia, mas muitos outros demonstraram, ouvi dizer recentemente, que há uma relação entre homossexualidade e pedofilia", disse Bertone em entrevista coletiva em Santiago, no Chile, quando perguntado se o fim do celibato ajudaria a reduzir os casos de abuso cometidos por religiosos.

"Essa é uma doença que atinge todos os tipos de pessoas, e padres em uma escala menor em termos percentuais", disse. "O comportamento dos padres nesse caso, o comportamento negativo, é muito sério, é escandaloso."

Bertone insistiu que o Vaticano nunca tentou encobrir os casos e acrescentou que o papa Bento 16 deve anunciar novas iniciativas surpreendentes contra o escândalo de pedofilia que atinge a Igreja Católica, mas não deu detalhes.

O Vaticano tem enfrentado crescentes alegações de ter negligenciado e encoberto casos de abuso no passado de crianças por padres nos Estados Unidos e em alguns países europeus por se preocupar mais com a imagem da Igreja do que com as vítimas.

Em visita oficial ao Chile, Bertone esteve nas áreas mais atingidas pelo terremoto de 27 de fevereiro. Na semana passada, ele se encontrou com o presidente chileno, Sebastián Piñera, e neste domingo entregou a uma igreja local uma imagem da Virgem de Carmem, presente do papa ao país.

Manual contra a pedofilia

O Vaticano divulgou nesta segunda-feira um manual sobre o procedimento da Igreja Católica para os casos de abusos sexuais de crianças por padres. No documento, publicado no seu site, a Santa Sé pede que os casos de padres pedófilos sejam denunciados "sempre" à autoridade civil e que, nos casos mais graves, o papa pode reduzir os religiosos diretamente ao estado laical --sem a necessidade de um julgamento canônico.

Segundo o vice-porta-voz do Vaticano, Ciro Benedettini, não se trata de um novo guia, mas da revisão de um documento redigido em 2003 e que foi publicado hoje "em nome da absoluta transparência" pregada pelo papa.

O documento, que não traz novidades ao que o próprio papa Bento 16 já havia pedido em carta aos fiéis da Irlanda, é a maior cartada do Vaticano para responder não só as recentes denúncias de pedofilia, mas às denúncias de que a Igreja Católica se calou diante de centenas de casos.

Até mesmo o papa foi acusado de omissão para os abusos cometidos por padres quando era arcebispo de Munique, na Alemanha, entre 1977 e 1981, e durante os 25 anos em que foi prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, antes de ser eleito pontífice em 2005.

Benedettini explicou que o guia de atuação foi definido pela Congregação para a Doutrina da Fé, mas nunca havia sido tornado público.

"A lei civil referente à denúncia dos crimes às autoridades apropriadas deve ser sempre seguida", explica a Santa Sé, escrevendo expressamente pela primeira vez que recorrer às autoridades civis é obrigatório.

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