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Sem água, brasileiro no Japão viaja 15 km para tomar banho

Sem água, brasileiro no Japão viaja 15 km para tomar banho

Atualizado: Segunda-feira, 14 Março de 2011 as 2:08

Prateleiras de supermercado vazias e filas quilométricas em postos de gasolina. Esse é o cenário encontrado pelo brasileiro Rodrigo Kouti, de 28 anos, que há 14 mora na cidade de Yaita Shi, no Japão. "Hoje fui a alguns supermercados e em todos faltavam arroz, pão, água e até mesmo comida congelada. É preciso chegar cedo para comprar", afirmou Kouti ao G1 .  

Segundo o brasileiro, desde que o país foi devastado pelo tsunami na última sexta-feira (11), não há distribuição de água na cidade em que ele mora. "Eu preciso ir para a casa de uma amiga para tomar banho. Ela mora na cidade de NishiNasuno, que fica uns 15 quilômetros de onde estou. A viagem demora cerca de 20 minutos de carro", relatou.     Para evitar a falta total de alimentos, os donos de supermeracado limitaram as compras: cada cliente pode levar no máximo duas unidades de cada produto existente na loja. Já a água para beber está sendo distribuída pelo Exército, "mas em quantidade racionada". Kouti relata, porém, que alguns brasileiros tentam escapar da regra, pegando mais produtos do que o permitido. "Porém, quando chegam ao caixa, são impedidos", ressaltou.

Kouti contou ainda à reportagem do G1 que vários postos de gasolina de Yaita fecharam, pois não há mais combustível. "Aqueles que continuam abertos têm filas de três, quatro quilômetros. Além disso, ninguém pode abastecer mais do que 10 litros por vez", afirmou.

Outro problema enfrentado pelos moradores do Japão é a falta de queresone. No país os aquecedores são abastecidos pelo combustível e algumas pessoas já sofrem com o frio. "Não estão vendendo querosene em quantidade suficiente e algumas pessoas já estão sem. Nós, aqui em casa, ainda temos porque um dia antes do tsunami compramos três galões", contou. Para ajudar os brasileiros que moram no Japão, Kouti fez um site.             Filho de pais brasileiros e neto de japoneses, a cidade em que Rodrigo mora fica a cerca de 150 km de Sendai, município mais próximo do epicentro do terremoto. No local, ele diz, vivem muitos brasileiros. “Tem um prédio onde moram só brasileiros. Um amigo disse que tiveram que sair do apartamento porque tem muitas rachaduras. O prédio deu uma entortada”, disse.

Acostumado aos tremores constantes na região, ele disse nunca ter sentido um abalo como o da última sexta-feira (11). “Uma semana antes do tsunami, foram uns 12 terremotos acima de 4 [de magnitude]. Parecia um aviso do que viria agora”, diz. Na casa onde vive com os pais, o brasileiro conta que as estruturas não foram abaladas, mas tudo que estava sobre os móveis, como televisão e computador, foi ao chão.

Segundo o último balanço oficial, 1.833 pessoas morreram por causa do terremoto seguido de tsunami que atingiu o Japão. Mas, segundo as autoridades e a imprensa, a cifra deve subir bastante, à medida que os trabalhos de resgate, muito difíceis ainda em várias regiões.      

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