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Sem novo teto da dívida, EUA terão que fazer cortes "irreais"

Sem novo teto da dívida, EUA terão que fazer cortes "irreais"

Atualizado: Sexta-feira, 17 Junho de 2011 as 10:33

Apesar da melhora fiscal, a grande preocupação em torno dos Estados Unidos é a negociação no Congresso para aumentar o teto legal da dívida pública, que foi atingido em maio.

O relatório "Monitor Fiscal" do FMI avalia que, se o Congresso americano não aprovar a ampliação da dívida, "existe um risco de enorme reação adversa do mercado".

"Manter a emissão líquida de dívida em zero iria requerer cortes de gastos irreais no resto do ano [fiscal]", diz o documento.

O diretor de assuntos fiscais do FMI, Carlo Cottarelli, disse à Folha que não vê a possibilidade de o Congresso não aprovar o aumento do limite da dívida.

"Não vejo a possibilidade de uma solução não ser encontrada. O teto da dívida vai ser ampliado como já foi ampliado diversas vezes antes", disse.

O teto da dívida americana já foi elevado 70 vezes na história. Nos últimos 10 anos, o limite legal foi ampliado 10 vezes.

O diretor garantiu que não vê o FMI emprestando dinheiro aos EUA no caso de o país ficar impossibilitado de emitir nova dívida depois de 2 de agosto -- prazo que o Tesouro determinou como o máximo que os cofres públicos podem aguentar.

"Nós temos 187 países-membros. Estamos prontos a emprestar para todos eles, mas os EUA não precisam do apoio do FMI", disse.

DEFICIT PÚBLICO

Os Estados Unidos, que tiveram deficit público de 12,7% em 2009, devem ver redução do rombo das contas públicas para 9,9% este ano. E para 7,8% no ano que vem. O principal motivo para a melhora do indicador - embora ainda em um nível considerado insustentável - é a melhora da receita fiscal do país e redução de gastos.

"Existe um entendimento geral de que o aperto fiscal é necessário. Essa situação não é sustentável. Mas ainda não há consenso político de como fazer isso", disse Cottarelli.

"Dado o tamanho do ajuste, a solução não virá só de cortes de gastos. A receita também tem que crescer".

Segundo o diretor, existem cortes bons e ruins. Cortar os gastos de forma linear, sem distinção entre eles, não é uma boa ideia porque não é sustentável. Só funcionam no curto prazo.

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