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Senado dos EUA ratifica tratado sobre armas nucleares com a Rússia

Senado dos EUA ratifica tratado sobre armas nucleares com a Rússia

Atualizado: Quinta-feira, 23 Dezembro de 2010 as 8:38

O Senado dos Estados Unidos ratificou nesta quarta-feira (22) o tratado START com a Rússia, dando ao presidente Barack Obama uma vitória diplomática e política após uma batalha que durou meses.

O Senado aprovou por 71 votos contra 26 o novo Tratado para a Redução de Armas Estratégicas (START na sigla em inglês), superando a maioria de dois terços necessária para aprová-lo.

A tramitação, polêmica, pôs em risco o tradicional consenso bipartidário em questões de segurança nacional. Afinal, 13 republicanos votaram com o governo.

"Com este tratado, enviamos uma mensagem ao Irã e à Coreia do Norte de que a comunidade internacional permanece unida para restringir as ambições nucleares de países que operam fora da lei", disse o senador John Kerry.

O tratado Start 2 dá um prazo de sete anos para que Washington e Moscou reduzam seus arsenais instalados de armas estratégicas de longo alcance a um máximo de 1.550 unidades. Os lançadores de mísseis seriam reduzidos a até 700 (veja alguns pontos do tratado no final desta reportagem).

A aprovação ocorreu nas últimas semanas da atual legislatura, antes da posse dos congressistas eleitos em novembro, o que fará o governo perder o domínio na Câmara e ter sua vantagem reduzida no Senado.

O senador republicano Jim DeMint, contrário ao tratado, afirmou que um "Congresso demitido, sem responsabilidades" se apressou em aprovar a medida antes do Natal, e após "barganhas de bastidores" que liberaram bilhões de dólares em verbas para a modernização do arsenal atômico.

"O tratado não tinha chance de ratificação até que o presidente concordou com os bilhões de dólares para a modernização das nossas armas nucleares", disse ele.

Outro senador, Jeff Sessions, afirmou que o objetivo de Obama de eliminar as armas mundiais é irreal, e por isso o tratado deveria ser rejeitado.

"Acho que todo o mundo veria a ação do Senado (contra o tratado) como um ressurgimento da política histórica dos EUA da paz por meio da força, e uma rejeição de uma visão esquerdista de um mundo sem armas nucleares", afirmou.

Veja, abaixo, alguns dos pontos do novo tratado, que foi assinado em abril, em Praga, pelos presidentes russo Dimitri Medvedev e americano Barack Obama:

- Redução de 74% do número de ogivas nucleares que ambos países possuem (em relação ao limite definido pelo tratado START I de 1993), a 1.550 respectivamente. Esta cifra corresponde a uma queda de 30% do número de ogivas em relação ao Tratado de Redução de Arsenais Nucleares Estratégicos (SORT, ou Tratado de Moscou), de 2002.

- Limitação a 800 do número de vetores (mísseis intercontinentais a bordo de submarinos e bombardeiros) mobilizados ou não por cada um dos dois países.

- Limitação a 700 do número de vetores posicionados.

- Escudo antimísseis: segundo Washington, não impõe nenhuma limitação aos testes, ao desenvolvimento ou à instalação de sistemas de defesa antimísseis dos Estados Unidos, que estejam programados ou em curso de sê-lo. Também não limita os projetos americanos em termos de ataques convencinais de longo alcance.

- Verificação: o novo tratado retoma os elementos do START I e os adapta aos novos limites. Prevê verificações in situ das instalações nucleares, intercâmbio de dados, assim como notificações recíprocas de armamentos ofensivos e de sítios nucleares.

- Duração do tratado: o tratado tem uma duraçao de dez anos a partir da data de sua entrada em funções e poderá ser renovado por uma duração máxima de cinco anos. Uma cláusula prevê que cada parte pode se retirar do tratado.

- Entrada em vigor: o tratado entrará em vigor depois de ser ratificado pelos parlamentos dos dois países. O Tratado START de 2002 ficará automaticamente abolido depois da entrada em vigor do novo texto.

*(Com informações da France Presse e Reuters)

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