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Série de livros apresenta a história dos EUA como 'folhetins'

Série de livros apresenta a história dos EUA como 'folhetins'

Atualizado: Quarta-feira, 8 Dezembro de 2010 as 11:34

Quando o escritor americano David Talbot chama de herói o general Smedley Darlington Butler, personagem principal de um episódio pouco conhecido da história dos Estados Unidos, ele não está simplesmente usando uma metáfora sobre a importância da pessoa. Em seu livro mais recente, “Devil Dog” (algo como 'cão diabólico'), Talbot usa um tom alegórico, criando um texto histórico sobre a vida de Butler, mas em um formato popular e simples, parecido com um folhetim. É o que ele chamou de “pulp history”, uma referência à literatura “pulp”, livros baratos cheios de ilustrações e que prendem o leitor com cenas de ação e emoção –e que ganhou popularidade no Brasil com o filme “Pulp Fiction”, de Quentin Tarantino.

“É um livro de história que pode ser lido como um romance, e é fácil e divertido como um, mas não inventei nada, e o texto é todo baseado em fatos documentados”, disse Talbot em entrevista ao G1 . Para escrever o livro, ele tinha apenas uma pessoa para entrevistar: a neta do personagem central. Mas havia muito material registrado que contava a história de Butler. “Estudei cartas, um livro escrito por ele e muito material até mesmo no museu militar, que serviu de base de pesquisa pra recriar a história”, explicou.   “Devil Dog” foi o primeiro livro de uma série de livros história como folhetim, publicada pela empresa que Talbot tem com sua irmã, Margaret, jornalista da prestigiosa revista “New Yorker”. Segundo Talbot, que é autor de um livro sobre os irmãos Kennedy e foi o criador da revista digital “Salon”, o projeto surgiu como tentativa de atrair novos leitores para a história dos Estados Unidos e apresentar episódios menos conhecidos dessa história de forma informal e divertida. Segundo ele, era preciso romper com a ideia de que história é como espinafre: “bom para você, mas entediante”.

“Eu tenho filhos, e minha irmã tem filhos. Somos muito intrigados com o que os jovens leem, do que gostam. Percebemos que o estímulo visual é muito importante e decidimos combinar esse estímulo visual a uma história empolgante, tentando, assim, abrir o mundo da história para novos leitores”, disse. "Isso é muito importante aqui nos Estados Unidos, porque somos um país que muitas vezes parece não ter história. Estamos um tanto perdidos no tempo, e é preciso descobrir nosso passado para sabermos exatamente quem somos e porque chegamos até aqui.”

Talbot diz ainda que havia o objetivo de apresentar o livro como artefato, algo para ser folheado e lido, rompendo com o desenvolvimento de tecnologias digitais. “Vejo muito claramente, em livrarias, que as pessoas pegam o livro com admiração, empolgadas, como se estivessem pegando uma caixa de bombons. As pessoas hoje têm fome por livros físicos. Queríamos isso, ter um livro publicado como artefato, como algo belo que se possa pegar, sentir, cheirar.”    

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