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Sérvia prende último foragido acusado de crimes de guerra

Sérvia prende último foragido acusado de crimes de guerra

Atualizado: Quarta-feira, 20 Julho de 2011 as 10:31

O antigo líder dos sérvios da Croácia, Goran Hadzic, acusado de crimes de guerra pelo Tribunal Penal Internacional para a Antiga Iugoslávia (TPII), foi detido nesta quarta-feira (20).

Hadzic foi detido na região de Fruska Gora, 100 km a noroeste de Belgrado, anunciou o presidente sérvio, Boris Tadic.

"Desta maneira, a Sérvia encerra o capítulo mais difícil na cooperação com o Tribunal de Haia", acrescentou o presidente Tadic.

Segundo a rede de televisão RTS, Hadzic, de 52 anos, foi preso no monastério ortodoxo de Krusedol, famoso por seus murais. Mas a agência Beta sustenta que a detenção ocorreu no povoado de Krusedol, próximo ao monastério.

Hadzic era o último acusado do TPII que seguia em liberdade após a detenção, em maio, do ex-comandante militar sérvio-bósnio Ratko Mladic .

Entre fevereiro de 1992 e o final de 1993, Hadzic, de 52 anos, foi presidente da rebelde República Sérvia de Krajina, um território da Croácia povoado por sérvios que se declarou independente depois que os croatas proclamaram sua própria independência da antiga Iugoslávia, em 1991.     Goran Hadzic, em imagem de arquivo de fevereiro de 1993. (Foto: Arquivo / AP Photo)     Hadzic havia desaparecido há sete anos, após seu indiciamento pelo tribunal da ONU ter sido comunicado ao governo sérvio.

Hadzic foi indiciado por 14 acusações de crimes de guerra e crimes contra a humanidade, incluindo assassinato, extermínio, perseguição, deportação e destruição por seu envolvimento em atrocidades cometidas pelas tropas sérvias na Croácia.

Goran Hadzic foi, durante a guerra, o efêmero "presidente" da República Sérvia da Krajina, que representava aproximadamente um terço do território da Croácia.

Nascido no dia 7 de setembro de 1958 em Vinkovci, na Croácia, Hadzic saiu do anonimato com esta guerra, na qual sempre se manteve fiel ao ex-presidente iugoslavo Slobodan Milosevic.

O nome de Goran Hadzic aparece ligado à matança do hospital de Vukovar, em novembro de 1991, na qual as forças sérvias executaram, após torturar, 264 civis croatas e outras pessoas não sérvias que teriam se refugiado no local.

A prisão de Hadzic chega dois meses após a de Ratko Mladic, o ex-chefe militar dos sérvio-bósnios preso no dia 26 de maio em Lazarevo, uma cidade situada 80 km a nordeste de Belgrado. Mladic é acusado de genocídio na guerra da Bósnia (1992-1995).

Embora Hadzic seja uma personalidade de segundo plano em comparação com Mladic ou inclusive com o ex-chefe político dos sérvio-bósnios Radovan Karadzic, detido em 2008, sua prisão é a última reivindicada pelo Tribunal de Haia.

Agora a Sérvia pode afirmar ter prendido os 44 acusados exigidos pelo tribunal e não hesitará em ressaltar o fato para promover suas aspirações europeias.

Hadzic também encerra a lista dos 161 acusados que o tribunal buscava por seu papel durante as guerras que desmembraram a ex-Iugoslávia durante os anos 1990, como confirmou nesta quarta-feira o procurador do tribunal Serge Brammertz.

Belgrado espera obter o estatuto de candidato à União Europeia antes do fim do ano, assim como uma data para a abertura de negociações de adesão.

Embora os 27 membros do bloco europeu peçam a Belgrado avanços no diálogo com o Kosovo e a adoção de várias leis, como a de restituição de bens confiscados após a Segunda Guerra Mundial pelo regime de Tito, a Sérvia tem motivos para ser otimista.

De fato, a União Europeia qualificou a prisão de Hadzic de "passo importante" de Belgrado em direção à adesão ao bloco.

A Otan também reagiu. Seu secretário-geral, Anders Fogh Rasmussen, estimou "muito bem-vinda" a prisão de Hadzic, porque permitirá "encerrar o capítulo mais doloroso" da história recente da Europa.          

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