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Sob ordem de prisão, Al-Bashir é reeleito no Sudão

Sob ordem de prisão, Al-Bashir é reeleito no Sudão

Atualizado: Terça-feira, 27 Abril de 2010 as 12

O presidente do Sudão, Omar al-Bashir, conquistou mais um mandato nesta segunda-feira, numa eleição marcada por boicotes e acusações generalizadas de fraudes. Al-Bashir obteve mais de 68% dos 10 milhões de votos válidos, informou Abel Alier, chefe da Comissão das Eleições Nacionais do Sudão. Al-Bashir tornou-se o primeiro presidente a ser reeleito enquanto enfrenta uma ordem internacional de prisão por crimes de guerra. A vitória de Al-Bashir era amplamente esperada, após o seu principal opositor ter se retirado da disputa quando acusou o governo de fraudes.

A vitória de Al-Bashir não deverá alterar o isolamento internacional do Sudão e do próprio presidente. Ele não pode viajar livremente para fora do país, porque se arrisca a ser detido para enfrentar julgamento no Tribunal Penal Internacional (TPI) de Haia, por crimes cometidos na região do Darfur.

As eleições no Sudão, as primeiras em 24 anos, foram parte de um acordo de paz de 2005, que acabou com uma guerra civil entre o norte do país, predominantemente arabizado e islamizado, e o sul, habitado por insurgentes cristãos e animistas. A luta, que durou 21 anos, deixou 2 milhões de mortos e muitos refugiados. As eleições abriram o caminho para o referendo de 2011, no qual o sul decidirá se quer a secessão do resto do país.

Observadores internacionais disseram que o sufrágio não atendeu aos padrões internacionais por causa dos atrasos, intimidação de eleitores e fraudes, mas não pediram que o pleito seja anulado. Ao contrário, os observadores recomendaram que as lições obtidas no processo sejam aplicadas nas votações de 2011, quando o sul poderá votar contra ou a favor da independência.

O presidente apareceu em discurso na televisão estatal logo após os resultados, para declarar que "o sucesso dessas eleições são essencialmente uma vitória do povo sudanês". Ele prometeu unir todas as forças do país para formar uma "parceria" nacional e se comprometeu a garantir a realização do referendo de 2011. "Vocês nos deram a confiança. Eu reafirmo que irei em frente com o referendo no sul e completarei o processo de paz no Darfur".

O presidente do sul do Sudão, Silva Kiir, também manteve seu cargo, conquistando quase 93% dos votos no sul do país. Kiir, que também comanda o maior partido político do sul do Sudão, e tem posição secundária no governo central, deverá manter seu cargo. O sufrágio no Sudão começou no dia 11 de abril e durou cinco dias. Além do boicote de parte dos eleitores, principalmente no Darfur, ocorreram várias acusações de fraudes e alguns tumultos no sul do país.

Al-Bashir, que chegou ao poder há 21 anos através de um golpe militar, foi acusado pelo TPI de Haia por crimes de guerra no Darfur, onde um conflito entre o governo e forças insurgentes eclodiu em 2003. Estima-se que 300.000 pessoas foram mortas pela guerra, doenças e deportações. Al-Bashir deverá visitar o Egito na terça-feira, onde não existe risco dele ser preso. Muitos países árabes e africanos não reconhecem o TPI e sua ordem de prisão contra Al-Bashir.

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