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Sob tensão e ameaça de boicote, Egito tem eleições nesta segunda

Sob tensão e ameaça de boicote, Egito tem eleições nesta segunda

Atualizado: Segunda-feira, 28 Novembro de 2011 as 9:17

Manifestantes ameaçam boicotar as eleições do Egito desta segunda-feira (28), as primeiras desde a revolta popular que derrubou o regime de 30 anos do ex-presidente Hosni Mubarak. Até terça-feira (29), os egípcios devem escolher os membros da Assembleia do Povo (Câmara dos Deputados), entre quase 4 mil candidatos de mais de 40 partidos.

Neste domingo (27), o chefe de Estado, Mohamed Hussein Tantawi, apareceu na televisão para pedir que a população compareça em massa às urnas. Os manifestantes ameaçam boicotar o pleito. Tantawi advertiu para as consequências “extremamente” graves caso a crise e a revolta prejudiquem as eleições que começam nesta segunda (28).

A votação é considerada o primeiro passo para transferir o poder do Egito aos civis, uma medida prometida pelo conselho militar que substituiu Mubarak. A escolha das 180 cadeiras do Conselho da Shura (Senado) está marcada para 29 de janeiro de 2012, e a eleição presidencial para julho de 2012. O Egito tem 50 milhões de eleitores entre seus 80 milhões de habitantes. A idade mínima para votar é 18 anos. Policiais e militares não estão autorizados a votar. O pleito de segunda e terça-feira também irá determinar qual bloco político vai controlar o Parlamento, que escolherá um comitê de 100 membros para preparar uma nova Constituição. As eleições também serão as primeiras em que os egípcios no exterior poderão votar.

Egípcios protestam contra a Junta Militar em manifestação na Praça Tahrir, no Cairo, neste domingo (27) (Foto: Bela Szandelszky/AP) Protestos

Nos nove meses desde a queda do regime de Mubarak, a Junta Militar que comanda o Egito se focou na preservação dos seus privilégios em vez de promover as transformações democráticas, o que levou milhares de manifestantes à Praça Tahrir, no centro de Cairo.

Os manifestantes pedem a renúncia dos militares e o cancelamento das eleições. Eles querem que o pleito seja organizado por um governo civil e não se contentam com a promessa de que a transferência de poder se completará em julho. Os protestantes também recusam o escolhido do conselho para formar o novo gabinete, Kamal Ganzouri, de 78 anos.

Ganzouri foi nomeado para o cargo de primeiro-ministro com a incumbência de formar um "governo de salvação nacional" em substituição ao premiê Essam Sharaf, que renunciou após seu gabinete divulgar um anteprojeto constitucional que blindaria as Forças Armadas de qualquer supervisão civil.

A frustração dos egípcios eclodiu há nove dias, quando os protestos deixaram 42 mortos e mais de 2 mil feridos. Pressionado pelas manifestações, o chefe de Estado, Mohamed Hussein Tantawi, discursou à nação e se comprometeu a organizar uma eleição presidencial até julho de 2012, antecipando em seis meses o cronograma anterior.

Partidos

Oprimidos pelo comando de Mubarak, a Irmandade Muçulmana e outros partidos islâmicos ficaram distantes das regras do exército, que não querem deixar nada impedir as eleições. Os partidos "Justiça e Liberdade" e "Nour", ligados aos conservadores islâmicos, são os favoritos para ganhar a maioria do Parlamento.

As eleições livres são novidade para um país em que as autoridades e as forças de segurança manipulam há décadas as pesquisas em favor do partido de Mubarak. A polícia egípcia afirma ter montado um esquema de segurança para garantir que as eleições ocorram com tranquilidade.

* Com informações de agências internacionais.        

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