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Suécia explica contradição em decisões sobre criador do Wikileaks

Suécia explica contradição em decisões sobre criador do Wikileaks

Atualizado: Segunda-feira, 23 Agosto de 2010 as 9:17

A promotoria sueca justificou o pedido de prisão por estupro emitido na sexta-feira (20) e anulado no sábado (21) contra o australiano Julian Assange, fundador do site WikiLeaks, em um comunicado publicado neste domingo (22), em Estocolmo. "No sábado, o chefe dos promotores, Eva Finné, obteve mais informações que o promotor de plantão na noite de sexta-feira", indicou o comunicado da promotoria sueca para justificar a mudança de posição. "Uma decisão como o pedido de prisão deve ser reavaliada no curso da investigação", afirma o comunicado da promotoria para explicar as razões pelas quais no sábado foi anulado o pedido de prisão contra Assange emitido na sexta-feira.

Na noite de sábado, o porta-voz do promotor, Karin Rosander, declarou que o procedimento seguido pelo promotor de plantão havia sido normal. Tratando-se de acusações tão graves como a de estupro, o pedido de prisão é automático, indicou Rosander.

Por seu lado, a promotora de plantão, Maria Haljebo Kjellstrad, afirmou que não lamentava em nada sua decisão, em uma entrevista concedida ao jornal de direita "Expressen", que revelou o caso no sábado.

"Recebi um relatório da polícia, que me pareceu suficiente para detê-lo", contou. "Na sexta-feira à noite, recebi uma ligação da polícia descrevendo o que as mulheres haviam dito. A informação que recebi era tão convincente que tomei minha decisão', declarou Haljebo Kjellstrand.

Na sexta, a promotoria havia anunciado que Assange era investigado por estupro e por agressão devido a declarações de duas mulheres transmitidas pela polícia. As duas mulheres que originaram a intervenção da justiça em momento algum apresentaram uma queixa judicial.

No sábado, a promotoria anunciou que "Julian Assange não era suspeito de estupro, mas continuava aberta uma investigação por agressão contra uma mulher".

Manobra mal-intencionada

Assange negou imediatamente as acusações e tanto ele quanto pessoas próximas a ele afirmaram que o incidente se tratou de uma manobra mal-intencionada contra o Wikileaks.

Segundo o jornal, duas mulheres, de 20 e 30 anos, foram à polícia na sexta-feira para contar os maus pedaços que passaram com Assange, de 39 anos. Intimidadas, elas não teriam querido prestar queixa, mas a polícia tomou a iniciativa de informar a promotoria.

Ainda de acordo com o periódico, Assange teria conhecido uma das mulheres no sábado à noite da semana passada em um apartamento de Estocolmo, e a outra, na manhã de terça, em região a noroeste da capital.

Ao longo do sábado, o próprio Assange lançou no ar a pergunta: "Por que estas acusações agora? É interessante", disse, sem dar detalhes, na página na internet do jornal sueco "Dagens Nyheter".

O Wikileaks, que declarou apoio a seu fundador em um comunicado publicado em seu blog oficial, enfureceu o governo americano ao publicar, na internet, 77.000 documentos confidenciais sobre a guerra no Afeganistão. Na semana passada, Assange anunciou em Estocolmo a intenção de publicar outros 15 mil documentos sobre o conflito.

Postado por: Thatiane de Souza

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