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Suez é calcanhar de aquiles do comércio internacional

Suez é calcanhar de aquiles do comércio internacional

Atualizado: Quinta-feira, 3 Fevereiro de 2011 as 11:19

Investidores internacionais temem que a crise no Egito provoque efeitos graves na economia global, que ainda se recupera da crise iniciada em 2008. Até agora, o cenário não afetou países produtores de petróleo ou o fluxo de navios no Canal de Suez. Mas esse risco não pode ser descartado no médio prazo. Os analistas também afirmam que a causa dos protestos é econômica, e não política.

  De acordo com relatório do Banco Goldman Sachs, a elevação dos preços dos alimentos são a causa central dos levantes na Tunísia e no Egito e um cenário similar é observado em outros países da região. Como existe o risco de elevação no preço das commodities, há uma enorme possibilidade de um agravamento da crise mundial. "A inflação, desde agosto, demonstra um elevado crescimento no preço dos alimentos no Egito, Jordânia, Irã, Iraque e Kuwait (os três últimos produtores de petróleo)", segundo informa o relatório do banco.

Segundo a análise distribuída para clientes, "a parcela de gastos com alimentos é maior no Egito (44%) e no Iraque, mas também está elevada na Jordânia, acima dos 36%, indicando que quanto maior a inflação nesses países, mais elevado será o risco de descontentamento da população e protestos contra o governo". Os jordanianos possuem acordo de paz com Israel e são considerados estratégicos na política externa americana na região, além de representarem um dos governos mais pró-EUA do mundo árabe e terem mais da metade da população de origem palestina.

O Goldman Sachs avalia que o Irã, que não é árabe, mas persa, também corre risco de ser afetado pelo aumento no preço dos alimentos.

O risco maior seria se manifestações começassem em países produtores como a Líbia, o Kuwait e o Bahrein, que já enfrentou no passado recente protestos da maioria xiita contra a monarquia sunita que controla o pequeno país.

Mauro Guillén, da Universidade da Pennsylvania, concorda que o problema maior seja a economia e não a ausência de democracia. "O desemprego atinge 25% ou mais em muitos destes países, chegando a 60% entre os mais jovens. Quando você não tem emprego, pede mudança. Os levantes são motivados por questões econômicas. O risco maior é que o Canal de Suez e o turismo serem afetados, O que ocorrer com o Egito, afetará seus vizinhos."

De origem egípcia, o investidor Mohammad el-Erian, presidente do fundo de investimentos Pimco, prevê um cenário sombrio para a economia. "Dependendo de como evoluir o cenário, não apenas os egípcios, mas toda a economia mundial será afetada. O Egito é crítico por permitir o comércio mundial e, indiretamente, afeta outras nações. Com seu controle do Canal de Suez, o país reúne uma parcela importante do mercado mundial", disse, alertando que a instabilidade no Egito afetará países árabes produtores de petróleo.      

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