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Talibãs afirmam ter levado eleições do Afeganistão ao fracasso

Talibãs afirmam ter levado eleições do Afeganistão ao fracasso

Atualizado: Segunda-feira, 20 Setembro de 2010 as 10:52

Os talibãs afirmaram nesta segunda-feira (20) que provocaram o "fracasso" das eleições legislativas de sábado no Afeganistão, dia em que dezenas de pessoas morreram em ataques.

"Os combatentes do Emirado Islâmico do Afeganistão (como os insurgentes talibãs chamam seu movimento) conseguiram fazer fracassar as eleições", afirma um comunicado do movimento extremista.

No sábado os talibãs reivindicaram 150 ataques contra locais de votação, a maioria com foguetes e morteiros.

Segundo o comando da Otan, as eleições de sábado foram menos violentas que as presidenciais de 2009.

A Otan afirma que os ataques de sábado deixaram 22 mortos, sendo sete civis, 11 policiais e soldados afegãos e quatro militares estrangeiros. Também foram feridos mais de 60 afegãos e 36 soldados das forças internacionais.

O diretor da comissão eleitoral e o ministério da Defesa anunciaram no sábado à noite um balanço de 15 mortos em atos violentos.

Apesar dos ataques, mais de quatro milhões de afegãos compareceram às urnas para escolher seus deputados.

Presidência

O porta-voz da presidência afegã disse nesta segunda que é cedo para avaliar a qualidade da eleição, mas a comissão de observação eleitoral espera receber milhares de queixas.

As autoridades eleitorais afegãs se apressaram em declarar que a votação de domingo foi um sucesso, apesar dos relatos de fraude, do baixo comparecimento e dos ataques do Talibã.

"É cedo para fazermos um julgamento concreto (...). Quanto à qualidade e organização da eleição, é cedo demais para julgar", disse Waheed Omer, porta-voz do presidente Hamid Karzai, numa entrevista coletiva em Cabul.

A Comissão de Queixas Eleitorais (CQE, um órgão oficial afegão) disse na segunda-feira que já recebeu mais de 700 queixas, e previu que o número chegará a 3 mil nos próximos dois dias.

A Fundação por Eleições Livres e Limpas no Afeganistão, uma entidade independente, pediu que os casos graves de fraude, intimidação e violência sejam levados ao Judiciário. "Observamos mais de 300 casos de intimidação dirigida por chefes de milícias, ligados a grupo armados ilegais", disse Nader Nadery, presidente da Fundação, falando a jornalistas.

Além das ameaças, há também denúncias de fraudes vindas de todo o país -- irregularidades como colocação de votos falsos nas urnas, eleitores votando duas vezes e compra de votos.

A eleição presidencial de 2009 já havia sido marcada por amplas fraudes.

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