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Técnicos deixam usina nuclear de Fukushima por risco de radiação

Técnicos deixam usina nuclear de Fukushima por risco de radiação

Atualizado: Quarta-feira, 16 Março de 2011 as 11:07

O governo japonês realizou nesta quarta-feira (16) a retirada dos 50 técnicos que trabalhavam na estabilização do reator 3 da usina nuclear de Fukushima. A retirada foi necessária após a constatação de um pico nos níveis de radiação dentro da usina. "As autoridades retiraram os funcionários para uma zona segura, de maneira temporária", disse o porta-voz do governo, Yukio Edano. Os técnicos jogavam água do mar nos reatores para tentar estabilizá-los e evitar um superaquecimento.

Nesta quarta, uma fumaça branca saindo da usina pôde ser vista por alguns instantes. O fato intensificou os temores de acidente radioativo, já que poucas horas antes foi confirmado um novo incêndio no reator 4.

Reatores danificados

As barras de combustível nuclear dos reatores 1 e 2 da usina nuclear japonesa de Fukushuma Daiichi foram parcialmente danificadas, disse nesta quarta a Tokyo Electric Power Co. (TEPCO), que opera a planta.

  O dano no reator 1 foi de 70%, e no 2, de 33%. O núcleo dos reatores parece ter derretido parcialmente após a perda das funções de resfriamento, ocorridas na sexta-feira (11) após o terremoto de magnitude 9 seguido de tsunami que atingiu a costa. O derretimento aumentaria o risco de danos aos reatores e de um possível vazamento nuclear, dizem especialistas.

Um novo incêndio atingiu na manhã desta quarta, pelo horário local, o reator 4 da usina de Fukushima Daiichi, no nordeste do Japão, mas já foi controlado, segundo a Agência Nuclear do Japão.

Na véspera, uma explosão de hidrogênio provocou um incêndio no mesmo reator, danificando o teto do prédio que o abriga. O Exército dos EUA, que colabora com as autoridades japonesas, controlou as chamas. A instalação nuclear, na província japonesa de Fukushima, foi bastante afetada pelo terremoto seguido de tsunami que devastou regiões costeiras japonesas.

O tremor e o maremoto danificaram as funções de refrigeração da usina, forçando a TEPCO a usar água do mar para baixar a temperatura dos reatores e liberar o ar radioativo para a atmosfera a fim de reduzir a pressão causada pelo calor. O reator 4 estava em manutenção no momento do terremoto. Os reatores 1, 2 e 3 também foram afetados. No total, a usina tem seis reatores.

Os responsáveis tentam impedir um acidente mais grave, com grande vazamento radioativo. A usina fica a 240 km da capital do Japão, Tóquio, onde há temor de contaminação radioativa e os níveis de radiação ficaram dez vezes acima do normal nesta terça (15).

O nível da radiação também subiu em outras cidades. Mas a previsão da meteorologia era de que, nesta quarta, os ventos soprassem para o mar, o que pouparia a capital de uma contaminação pior.

Em meio à tensão causada pela crise nuclear, o país continua os trabalhos de resgate de sobreviventes e de corpos nas regiões costeiras devastadas.

O número de mortos oficial passa de 3.300, mas as autoridades estimam que ele possa passar de 10 mil. O país também enfrenta cortes programados de energia, por conta do desligamento de usinas nucleares. O objetivo, segundo o governo, é impedir blecautes maiores.

Também há problemas de desabastecimento de provisões, combustível  e nos transportes públicos.      

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