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Tepco muda estratégia para tentar controlar situação em Fukushima

Tepco muda estratégia para tentar controlar situação em Fukushima

Atualizado: Terça-feira, 17 Maio de 2011 as 1:52

A Tokyo Electric Power (Tepco) divulgou nesta terça-feira (17) novos planos para conter a crise na usina nuclear de Fukushima, tentando agora resfriar os reatores circulando a água radioativa que se acumulou no complexo da usina danificada.

O anúncio foi feito depois de a operadora da usina admitir que enfrenta um desafio ainda maior do que revelou a princípio mas que mantém o objetivo de controlar os reatores até janeiro de 2012.

No mesmo dia, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), ligada à Organização das Nações Unidas (ONU), confirmou em Viena que, a partir de 24 de maio, enviará uma equipe de 20 especialistas ao Japão para analisar a situação na usina nuclear de Fukushima.

Liderados pelo britânico Mike Weightman, os especialistas visitarão a central de Fukushima Daiichi, administrada pela Tokyo Electric Power (Tepco), segundo afirmou a agência nuclear em comunicado.

Imagem registrada em 6 de maio e divulgada nesta terça-feira (17) mostra o interior do prédio do Escritório de Administração da usina nuclear de Fukushima, no Japão (Foto: AP/Tokyo Electric Power Co.)

  Nova estratégia

A Tokyo Electric Power disse ter descartado um plano inicial para estabilizar os reatores enchendo-os com água depois que se descobriu na semana passada um grande vazamento no principal invólucro do reator 1 da usina.

Ao invés disso, a empresa disse que agora irá tentar resfriar os reatores circulando a água radioativa que se acumulou no complexo de Fukushima. A maior parte da água está dentro dos prédios do reator, mas uma parte está fora, em tendas.

A nova abordagem envolverá medidas caras para descontaminar dezenas de milhares de toneladas de água e a construção de uma grande área de armazenamento para os resíduos de baixa radiação restantes.

Em uma medida de reconhecimento de um risco anteriormente minimizado, a Tokyo Electric também disse que irá intensificar o monitoramento de radiação na água marinha próxima e estudar o que pode ser feito para evitar a contaminação da água no solo.

A empresa, também conhecida como Tepco, disse que ainda pretende concluir as etapas iniciais para limitar a liberação de mais radiação da usina, localizada 240 km ao nordeste de Tóquio, e fechar seus três reatores instáveis até janeiro de 2012.

"Sabemos que há muitos fatores e riscos, mas ainda queremos concluir os primeiro passos até julho [de 2011], e o restante do plano dentro de nove meses", declarou Sakae Muto, vice-presidente da Tepco, em uma coletiva de imprensa.

Ele acrescentou ser impossível estimar quanto a limpeza de Fukushima, que tem um total de seis reatores, irá custar. "É algo que teremos que estudar com o tempo."

Relatório

A missão da AIEA realizará uma análise preliminar sobre a segurança na central, gravemente danificada após o terremoto e o tsunami de 11 de março. Mike Weightman apresentará um relatório sobre a missão durante a conferência ministerial sobre segurança nuclear, que será realizada entre 20 e 24 de junho em Viena.

Segundo a AIEA, trata-se de uma "importante contribuição ao processo de revisão e fortalecimento do marco de segurança nuclear global, que será impulsionado pela conferência". Os especialistas do organismo sustentam que a situação na usina nuclear ainda é muito grave, mas reconheceram alguns avanços no trabalho para resfriar os reatores e evitar escapamentos radioativos.

Políticas de energia

Mais de dois meses após o terremoto seguido por um tsunami terem desencadeado o pior desastre nuclear desde Chernobyl, autoridades do Japão dizem que o risco de outra explosão na usina de Fukushima diminuiu, mas cada passo dado para retomar o controle tem se deparado com novos desafios.

A crise levou a uma reavaliação total da política de energia japonesa, que antes incluía a meta de gerar metade da eletricidade do país a partir de usinas nucleares até 2030.

Desde o início, o cronograma de estabilização de Fukushima, anunciado pouco mais de um mês atrás, despertou ceticismo de especialistas e do público japonês, mas quaisquer mudanças no objetivo original eram vistas pelo governo como muito custosas politicamente.        

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