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Tragédia no futebol egípcio teve mortes por facadas e sufocamento

Tragédia teve mortes por facadas e sufocamento

Atualizado: Quinta-feira, 2 Fevereiro de 2012 as 2:55

Testemunhas do massacre no Port Said Stadium, no Egito, ocorrido na última quarta-feira em uma partida entre Al-Masry e Al-Ahly, relatam que viram torcedores sendo esfaqueados e outros sufocados até a morte na tentativa de fugir dos agressores, armados com pedaços de pau, pedras e facas. A agência nacional de notícias do Egito fala em 74 mortos, enquanto a rede de televisão CNN eleva esse número para 79.

"As pessoas estavam subindo umas em cima das outras porque não havia outras saídas. Nós tínhamos duas escolhas: a morte vindo por trás de nós ou as portas fechadas", declarou em seu perfil no Twitter Ahmed Graffar, torcedor do Al-Ahly, presente no estádio e sobrevivente da tragédia.

Hesham Sheiha, funcionário do Ministério da Saúde, também aponta concussões, hemorragias cerebrais e ferimentos profundos na cabeça como algumas  das causas das mortes no Port Said Stadium. Ele ainda afirmou à TV estatal do Egito que "todos os levados para o hospital já estavam mortos".

Ficaram feridos no tumulto 248 pessoas, incluindo 14 policiais, de acordo com o Ministério do Interior do Egito. Também foi relatado por autoridades egípcias que 47 pessoas foram presas acusadas de envolvimento no massacre.

O presidente da federação egípcia de futebol, Samir Zaher, anunciou que o campeonato está suspenso por tempo indeterminado. A procuradoria geral de justiça do Egito ordenou abertura de investigação imediata.

Polícia omissa

Os relatos de jogadores, treinadores e torcedores presentes ao Port Said Stadium parecem unânimes na constatação de que as forças policiais egípcias não agiram corretamente durante as cenas de violência da quarta-feira.
“A culpa é única e exclusiva da polícia. Porque tínhamos dezenas de soldados dentro do estádio e quando acabou o jogo, eles sumiram”, afirmou Manuel José, em entrevista a rede de televisão SIC, de Portugal.

A opinião é compartilhada pelo meia veterano Aboutrika, do Al Ahly, ídolo do futebol egípcio. "As forças de segurança nos abandonaram, não nos protegeram. Um torcedor morreu no vestiário bem à minha frente". Bakarat também reforçou o coro contra a polícia egípcia, "Pessoas morreram, estamos vendo cadáveres agora. Não há forças de segurança nem exército para nos proteger agora".

A omissão policial dá margem a teorias envolvendo a atual situação política do Egito. Essam al-Erian, vice-presidente do PLJ (Partido Liberdade e Justiça) afirma que a ineficiência da polícia foi proposital para que as forças ganhassem mais liberdade de ação e ainda afirmou que "os eventos em Port Said foram planejados e são uma mensagem dos remanescentes do antigo regime".

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