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Tropas de Kadhafi mataram 25 em 2 dias em Misrata, dizem rebeldes líbios

Tropas de Kadhafi mataram 25 em 2 dias em Misrata, dizem rebeldes líbios

Atualizado: Segunda-feira, 18 Abril de 2011 as 5:17

Os rebeldes da Líbia disseram que mais quatro civis foram mortos nesta segunda-feira (18) em Misrata, por bombardeios de forças do ditador Muammar Kadhafi.

Com isso, o número de mortos na cidade costeira desde domingo eleva-se a 25 e pode subir mais.

A terceira maior cidade da Líbia -- maior reduto dos insurgentes no oeste do país -- está cercada por tropas pró-Kadhafi há cerca de sete semanas.

Os combates na cidade de Misrata deixaram 1.000 mortos e 3.000 feridos desde o fim de fevereiro, informou nesta segunda a direção do hospital da cidade sitiada.   "No total, 80% dos mortos são civis", declarou o administrador do hospital, o médico Khaled Abu Falgha.     O médico afirmou que desde a semana passada foram internados pacientes com ferimentos graves provocados por bombas de fragmentação, armas que estão proibidas.

Os rebeldes acusam as tropas leais ao regime de Muamar Kadhafi de utilizar tais bombas, o que Trípoli nega. Saif al-Islam Kadhafi, filho de Kadhafi, negou que o regime tenha cometido qualquer crime contra o povo.

Milhares de trabalhadores imigrantes estão ilhados em condições miseráveis, tentando sair em navios de resgate de entidades humanitárias.     Um grupo norte-americano defensor dos direitos humanos disse que forças do governo lançaram ataques indiscriminados de foguetes e bombas contra bairros residenciais em Misrata, incluindo um que matou oito civis que aguardavam em fila para comprar pão na quinta-feira.     Ao menos 16 civis morreram em ataques semelhantes em 14 de abril, segundo testemunhas e inspeções nos locais atingidos, disse a Human Rights Watch em comunicado de Misrata.

Al-Jabal Al-Ghardi

Forças de Kadhafi atacaram de forma intensa a região de Al-Jabal Al-Gharbi, sob controle da rebelião, a oeste de Trípoli, matando mais de 100 pessoas desde domingo, informaram nesta segunda-feira moradores do local.

Cessar-fogo

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu nesta segunda-feira em Budapeste um cessar-fogo na Líbia, ao mesmo tempo que anunciou as Nações Unidas pretendem ampliar a ajuda humanitária a Trípoli.

"Temos três objetivos: primeiro um cessar-fogo imediato e efetivo, segundo estender nossa ajuda humanitária aos que necessitam, terceiro continuar o diálogo político e a busca de uma solução política", declarou Ban a um grupo de jornalistas durante uma visita oficial de três dias a Hungria.

"Vista a magnitude da crise, se os confrontos prosseguirem, é absolutamente necessário que as autoridades líbias parem os combates e de matar as pessoas", insistiu.     Apesar das negociações para obter uma solução política prosseguirem, o secretário-geral da ONU pediu uma ação internacional "combinada e em coordenação com o povo líbio".

"Uma vez obtido o cessar-fogo, a Líbia necessitará de amplos esforços para estabelecer e manter a paz, assim como para a reconstrução", completou Ban.

A situação humanitária é particularmente grave nas cidades onde acontecem os confrontos, destacou o secretário-geral.

"Há dezenas de milhares de pessoas cujas necessidades básicas não são satisfeitas, portanto temos um grave problema", explicou.

Ban afirmou que a ONU pretende ampliar, em colaboração com a Cruz Vermelha e o Crescente Vermelho, a ajuda humanitária a Trípoli. As Nações Unidas já estabeleceram em Benghazi uma base humanitária para as 500.000 pessoas que fugiram dos combates.

Também nesta segunda, enviados da ONU se reuniram com o primeiro-ministro líbio, em Trípoli e exigiram que o regime cesse os ataques a Misrata.

Retirada

Uma embarcação fretada retirou cerca de mil trabalhadores estrangeiros e líbios feridos de Misrata nesta segunda.

O navio Ionian Spirit saiu de Misrata levando 971 pessoas -em sua maioria imigrantes fracos e desidratados originários principalmente de Gana, das Filipinas e da Ucrânia- com destino à cidade de Benghazi, o bastião rebelde no leste da Líbia.

Foi a segunda embarcação fretada pela OIM, que retirou quase 1.200 migrantes de Misrata na última sexta-feira.

Entre o grupo resgatado havia 100 líbios, incluindo uma criança baleada no rosto, disse a OIM em comunicado.        

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