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Turquia julga 192 militares acusados de tramar golpe de Estado

Turquia julga 192 militares acusados de tramar golpe de Estado

Atualizado: Quinta-feira, 16 Dezembro de 2010 as 10:56

O maior julgamento da Turquia contra membros do Exército foi iniciado nesta quinta-feira em Silivri, nos arredores de Istambul, com 192 militares acusados de terem arquitetado um golpe de Estado em 2003. A primeira audiência foi aberta com a verificação das identidades dos acusados, incluindo o antigo comandante da Força Aérea Ibrahim Firtina; o da Marinha Özden Örnek e o do Exército Çetin Dogan.

No julgamento serão lidas as acusações que pedem penas de prisão de até 20 anos para todos os suspeitos de tentar derrubar o Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP), pró-islâmico, do primeiro-ministro, Recep Tayyip Erdogan.

A investigação e as prisões começaram em janeiro deste ano, depois que as autoridades judiciais de Istambul receberam uma mala cheia de documentos, CDs e DVDs que havia sido enviada ao jornal "Taraf" e revelou o plano de golpe de Estado chamado "Balyoz".

Entre outras ações, o plano incluía promover atentados contra duas mesquitas em Istambul e derrubar um avião militar turco no Mar Egeu para forçar um confronto com a Grécia. Ambas as ações tinham a meta de desestabilizar o país e justificar a intervenção das Forças Armadas.

Firtina, Örnek e Dogan fizeram parte da cúpula militar entre 2003 e 2005, durante a primeira legislatura do AKP, quando supostamente o golpe de Estado deveria ter acontecido.

Os suspeitos e seus advogados negaram as acusações e disseram que não se tratava de um plano golpista, mas de "supostos cenários" apresentados em um seminário de combate ao terrorismo.

Os militares também alegam que muitos dos documentos apresentados como provas são falsos e denunciam que foram baseados em escutas ilegais.

As Forças Armadas, autoproclamadas defensoras do laicismo e da integridade territorial, derrubaram quatro Governos nos últimos 50 anos (1960, 1971, 1980 e 1997).    

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