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União Europeia celebra o anúncio do fim da luta armada do ETA

União Europeia celebra o anúncio do fim da luta armada do ETA

Atualizado: Sexta-feira, 21 Outubro de 2011 as 2:08

A União Europeia afirmou nesta sexta-feira (21) que o anúncio da organização basca separatista  ETA sobre o fim definitivo de sua luta armada é uma "excelente notícia".

"O anúncio representa uma derrota do terrorismo e uma vitória para a democracia, a liberdade e o Estado de direito", afirmou o presidente da União Europeia, Herman Van Rompuy, em comunicado, onde também homenageia as vítimas da organização armada.

"Penso principalmente, neste momento, nas vítimas e suas famílias, bem como na resistência do Estado espanhol e dos espanhóis todos estes anos", acrescentou.

A organização separatista basca ETA anunciou na quinta-feira "o fim definitivo de suas atividades armadas", um fato histórico após mais de 40 anos de uma luta violenta pela independência do País Basco, qualificado de "vitória da democracia" pelo governo espanhol.

Três militantes da organização com capuzes brancos e boinas pretas fizeram o anúncio sentados em uma mesa, atrás da qual se podia ver o emblema da ETA, uma serpente enrolada em um machado, em um vídeo exibido na página na internet do jornal basco Gara.

"A ETA decidiu pelo fim de sua atividade armada", afirmaram, segundo tradução em espanhol do texto em basco. "A ETA faz um apelo aos governos de Espanha e França para abrir um processo de diálogo direto que tenha por objetivo a resolução das consequências do conflito e, assim, a superação do confronto armado", acrescentaram.

Moradores de Pamplona acompanham nesta quinta-feira (20) o anúncio do fim da luta armada do ETA (Foto: AP) Apenas uma hora depois, o chefe de governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, saudou esta "vitória da democracia, da lei e da razão".

"Hoje, o Estado de direito triunfou como único modelo possível de convivência", declarou Zapatero.

O líder do opositor Partido Popular (PP, direita), Mariano Rajoy, grande favorito para se tornar chefe do governo nas eleições de 20 de novembro, foi mais longe e pediu à ETA que torne eficaz sua dissolução.

"Consideramos que este é um passo muito importante, mas a tranquilidade dos espanhóis só será completa quando ocorrer a dissolução irreversível da ETA e seu completo desmantelamento", afirmou.

O antigo Batasuna - partido tornado ilegal na Espanha em 2003 por ser o braço político da ETA -, já tinha anunciado esta terça-feira que apoiava um anúncio de cessar definitivo dos atentados e esperava que os governos francês e espanhol dessem uma "resposta positiva".

Familiares de vítimas de atentados expressaram sua decepção após o anúncio e exigiram a dissolução do ETA.

"Estamos decepcionados porque este não é o último passo, resta acabar definitivamente com o grupo terrorista ETA", disse por telefone à AFP María del Mar Blanco, irmã do conselheiro basco do Partido Popular Miguel Ángel Blanco, assassinado pela organização armada em 1997.

"Nem falam da dissolução do grupo terrorista nem da entrega de armas. O que nos anunciam é que perdoam as nossas vidas, mas a em troca de algo", completou María del Mar Blanco, atualmente deputada do PP (conservador) no parlamento autônomo basco.

"Continuaremos trabalhando até que consigamos sua dissolução definitiva. Sem nenhum tipo de negociação, de contrapartida, e desde já exigindo o reconhecimento do dano causado", completou a mulher, que tinha 22 anos quando seu irmão foi assassinado em 12 de julho de 1997.

O mesmo ceticismo e as mesmas exigências foram demonstrados pela presidente da Associação de Vítimas do Terrorismo, Ángeles Pedraza.

"É o comunicado que esperamos, mas não o que queríamos", declarou à Rádio Nacional da Espanha.

"O ETA diz que há um cessar definitivo, mas não diz que há uma derrota. Então, para nós, as vítimas, esse comunicado não vale", completou.        

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