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'Vamos continuar até que Mubarak caia', diz egípcio que estuda no Brasil

'Vamos continuar até que Mubarak caia', diz egípcio que estuda no Brasil

Atualizado: Segunda-feira, 31 Janeiro de 2011 as 4:32

Logo que começaram as primeiras manifestações contra o governo no Egito, há sete dias, o professor universitário Maged El Gebaly, que faz doutorado sobre literatura brasileira na USP, não teve dúvidas: arrumou as malas e voltou ao país natal, onde participa dos protestos pela saída do presidente Hosni Mubarak, há 30 anos no poder.

“Vamos continuar nas ruas até que Mubarak caia, mas necessitamos do apoio da comunidade internacional. Os governos latino-americanos e o brasileiro precisam se manifestar de maneira contundente contra a ditadura. Vamos dar a vida aqui nas ruas, mas precisamos de apoio internacional para nossas mobilizações”, disse por telefone do Cairo ao G1 o professor, que faz parte do Movimento Egípcio pela Mudança Democrática.     “Não estamos contra a paz, queremos paz, mas de maneira imparcial. Uma paz onde haja igualdade, respeito aos direitos humanos e aos princípios democráticos”, completa.

De acordo com El Gebaly, os manifestantes estão em vigília permanente na Praça Tahrir, no centro do Cairo, onde pela manhã manifestantes vindos de outras cidades se revezam com os que passam a noite.

“Neste momento estamos sem nenhuma polícia nas ruas porque a polícia se retirou. Hoje voltou, mas com uma representação bem pequena e quem tem o controle das ruas é a juventude e o Exército do país. Agora mesmo há mais de 150 mil manifestantes, mulheres, homens, velhos, jovens de todo tipo de classe na praça, uma representação muito grande do povo egípcio”, contou.

O anúncio feito pelo presidente de um novo gabinete, diz o professor, não acalmaram o povo, que “não acredita mais num presidente que perdeu toda a governabilidade”. “O único pedido da população egípcia nesse momento é que o presidente saia”, diz.

Apesar da diminuição da polícia nas ruas –mais ligada ao governo do que o Exército, que não tem entrado em confronto com os manifestantes-, a dura repressão aos manifestantes continua, segundo El Gebaly, por meio de membros da segurança política do regime disfarçados entre os jovens.

“Nesse momento, estão criando uma oposição falsa, que não representa o povo, para criar desordem e desunir a oposição, mas isso não vai acontecer porque estamos preparados”, diz o jovem egípcio, que contou ter perdido amigos entre os feridos nas manifestações, que já deixaram ao menos 125 mortos, segundo despachos das agências de noticias.

“Temos um número não confirmado de 1,5 mil mortos até esse momento e mais de 4 mil feridos que não estão em hospitais, mas sendo atendidos por nossos médicos do movimento, além de 500 desaparecidos. As pessoas não confiam nos hospitais, controlados pelo governo”, diz.

“A única resposta deste presidente foram bombas de gás lacrimogêneo e assassinar muitos membros do movimento e da juventude, além de mandar libertar muitos dos presos para assustar a população e por isso os jovens começaram a se organizar para proteger as casas, as instalações públicas e propriedades.”   Exigências

Entre as exigências do Movimento Egípcio pela Mudança Democrática, segundo o professor, estão o fim do estado de sítio, o fechamento de centros de tortura no país, o fim da segurança do Estado, a convocação de eleições com supervisão internacional e a formação de um governo de transição liderado pelo ex-diretor da agência nuclear da ONU, Mohammad ElBaradei, que participa das manifestações.

El Gebaly acusa o governo ainda de estar por trás de saques a lojas e monumentos públicos e de passar para o Ocidente a ideia de que a Irmandade Muçulmana, grupo político que não é reconhecido no país, de liderar as manifestações, como forma de forjar um clima de desordem no país numa eventural saída de Mubarak.

“Quem está se manifestando não é a Irmandade Muçulmana, como mente o regime para o mundo ocidental, quem está se manifestando é uma gama ampla de diferentes setores do povo egípcio. A maioria são jovens devido à alta taxa de desemprego do país”, diz.    

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