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Vazamento revela segredos da diplomacia dos EUA; veja destaques

Vazamento revela segredos da diplomacia dos EUA; veja destaques

Atualizado: Segunda-feira, 29 Novembro de 2010 as 9:21

O site Wikileaks deu início neste domingo (28) à divulgação de um conjunto de 251.287 relatórios da diplomacia americana num período entre 1966 e 2010. Os documentos, publicados em cablegate.wikileaks.org, registram a comunicação entre embaixadas americanas, sob diferentes graus de confidencialidade.

Confira abaixo alguns destaques. Se algum outro ponto ou documento chamou sua atenção, registre sua opinião na área de comentários.

Brasil oculta prisões de terroristas

O governo brasileiro disfarça a existência e a prisão de pessoas ligadas ao terrorismo, de acordo com textos enviados pelo então embaixador americano no Brasil em 2008. Segundo o documento, "o governo brasileiro é um parceiro de cooperação no combate ao terrorismo e actividades relacionados com o terrorismo no Brasil [...] No entanto, os mais altos níveis do governo brasileiro, particularmente o Ministério das Relações Exteriores, são extremamente sensíveis a quaisquer créditos públicos de que terroristas têm presença no Brasil - seja para arrecadar fundos, organizar a logística, ou mesmo trânsito no país - e vai vigorosamente rejeitar quaisquer declarações implicando o contrário."

Israel tem condições de atacar Irã sem ajuda dos EUA

Num relatório datado de 8 de fevereiro deste ano, a embaixada americana em Paris relata um encontro entre o secretário de Defesa dos EUA, Robert Gates, e o ministro da Defesa da França, Herve Morin. Segundo o texto, Morin perguntou a Gates "se ele acreditava que Israel tinha condições de atacar o Irã sem apoio americano". Em resposta, o secretário disse não saber se Israel teria sucesso numa ação desse tipo, mas afirmou que sim, Israel teria como conduzir uma ofensiva desse tipo sozinha.

Gates observou ainda que um "ataque convencional" vindo de "qualquer nação" adiaria os "planos [nucleares] iranianos" em um período de um a três anos, "ao mesmo tempo em que unificaria o povo iraniano na rejeição eterna ao agressor".

Relações do Paraguai com Venezuela e Cuba

Em comunicado enviado pelo Departamento de Estado a representantes americanos em Assunção, o governo dos EUA dá uma lista de tópicos sobre os quais a embaixada deve "coletar informações". Entre os assuntos estão "lavagem de dinheiro", "tráfico de drogas" e as possíveis relações destes criminosos com integrantes de organizações terroristas islâmicas.

O governo dos EUA pede que a embaixada reúna informações sobre a população muçulmana que vive na área da tríplice fronteira - com Brasil e Argentina. Há, inclusive, uma solicitação referente a "mesquitas e centros culturais apoiados pelo Irã".

O comunicado também pede informações sobre as relações e opiniões do governo paraguaio com ações da Venezuela de Hugo Chavez. Na lista, o Departamento de Estado pede dados sobre "programas de intercâmbio estudantil e atividades filantrópicas no Paraguai financiadas por Cuba ou Venezuela".

Chávez 'louco'

O assessor diplomático da Presidência francesa, Jean-David Levitte, disse ao subsecretário de Estado americano Philip H. Gordon, em um encontro realizado em Paris em setembro de 2009, que o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, é "louco" e que nem o Brasil era capaz de dar-lhe mais apoio.

"Infelizmente, Chávez está pegando um dos países mais ricos da América Latina e transformando-o em outro Zimbábue", disse Levitte, segundo o comunicado. 

Problemas com denfensores dos 'direitos dos cidadãos à privacidade'

Em relatório de 17 de setembro de 2009, a embaixada americana em Berlim, na Alemanha, demonstra preocupação com o possível bom desempenho do Partido Democrático-Liberal (FDP, na sigla em alemão) nas eleições parlamentares.

De acordo com o texto, o partido poderia entrar para a coalização de governo, o que ameaçaria a cooperação entre EUA e Alemanha em políticas de combate ao terrorismo, já que o grupo é "defensor dos direitos dos cidadãos à privacidade".

"As posições do Partido Democrático-Liberal sobre liberdades individuais e privacidade podem levar a complicações nas questões de cooperação na segurança e compartilhamento de informações", diz o texto.

Nas eleições, realizadas dez dias após o envio do relatório, o partido passou de 61 para 93 cadeiras, e fechou coalizão com a União Democrática Cristã, da premiê Angela Merkel.

Irmão de Karzai 'corrupto'

Diplomatas americanos acusam Ahmed Wali Karzai, irmão do presidente afegão Hamid Karzai, de "corrupto e envolvido no tráfico de drogas", segundo os documentos diplomáticos revelados no domingo pelo site WikiLeaks.

Notas diplomáticas redigidas na embaixada americana em Cabul reafirmam, sem apresentar provas, as acusações feitas regularmente nos últimos anos pelos serviços de inteligência e meios de comunicação americanos a respeito de Ahmed Karzai, principal autoridade do conselho provincial de Kandahar (sul do Afeganistão), que sempre negou as alegações e afirmou que nunca foram apresentadas provas contra ele.

"Ahmed Wali Karzai, com quem devemos negociar como chefe do conselho provincial de Kandahar, é considerado geralmente como corrupto e traficante de droga", afirma um dos documentos, redigido após uma reunião entre o irmão do presidente afegão e um emissário americano. "Esta reunião com Ahmed Wali Karzai destaca um de nossos principais desafios no Afeganistão: como lutar contra a corrupção e estabelecer uma relação entre a população e seu governo quando os principais funcionários do governo são corruptos", completa o texto.

O irmão de Hamid Karzaié um dos homens mais poderosos da instável e estratégica região de Kandahar, um dos principais redutos dos insurgentes talibãs.

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