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Venezuela tem o direito de se defender, diz chanceler cubano

Venezuela tem o direito de se defender, diz chanceler cubano

Atualizado: Quinta-feira, 5 Agosto de 2010 as 4:59

O ministro de Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, disse nesta quinta-feira (5), após reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que a Venezuela tem “todo o direito” de se defender das “provocações” do governo colombiano. O chanceler defendeu o diálogo, mas afirmou que no caso de uma eventual agressão, Cuba estará ao lado do presidente venezuelano, Hugo Chávez.

“A Venezuela tem todo o direito de defender-se de ameaças e provocações. Cuba sempre impulsionou o diálogo, a cooperação e os processos de paz na região”, disse. “São conhecidas as relações estreitas entre Cuba e Venezuela e no caso de a Venezuela ser agredida, é óbvia qual será a posição de Cuba”, destacou o ministro.

Em 22 de julho, Chávez anunciou o rompimento das relações com a Colômbia depois que o país denunciou à Organização dos Estados Americanos (OEA) a suposta presença de guerrilheiros das Farc em território venezuelano.

Rodríguez também disse ver com preocupação a possibilidade de os Estados Unidos construírem bases militares na Colômbia. Segundo ele, episódios recentes, como o golpe militar em Honduras, evidenciam que a América Latina está sofrendo interferência externa.

“A existência de bases militares na Colômbia, o crescimento dos pressupostos militares norte-americanas para operações na América Latina e Caribe, o golpe de Estado em Honduras, revelam uma doutrina militar que incluem a intervenção na nossa região”, criticou.

Dissidentes

Questionado sobre a situação de dissidentes políticos cubanos mantidos como prisioneiros, o chanceler destacou que o governo de seu país os considera criminosos comuns.

“Não aceitaria o conceito de dissidentes políticos cubanos. Entendo que você se refere a pessoas que cometeram delitos em Cuba, atos previstos e sancionados em leis prévias, julgados em tribunais ordinários. Trata-se de um processo civil que não tem nada a ver com os tribunais militares que existem, por exemplo, em Guantánamo”, afirmou, em referência à prisão militar construída pelos Estados Unidos em Cuba para prisioneiros iraquianos.

Rodríguez destacou que as pessoas classificadas pela comunidade internacional como “presos políticos”, cometeram crimes com o incentivo do governo norte-americano.

“Sobre os prisioneiros, está rolando o processo ordinário, com todas as garantias judiciais. Estamos falando de pessoas que cometeram delitos a serviço da política dos Estados Unidos contra Cuba, que receberam pagamentos do governo norte-americano para atuar como subagentes em nosso território”.

A respeito da decisão de soltar cinco dissidentes, anunciada em julho pelo arcebispo de Havana , o chanceler afirmou que trata-se de uma medida soberana e “generosa” do governo de Cuba.

“Volto a dizer que, tal como ocorreu muito recentemente, isso corresponde a uma decisão soberana do governo cubano, uma decisão generosa, porque a revolução é sólida e é forte”, disse Rodríguez.

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