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Após desocupação, PMs discutem fim da greve na Bahia

Após desocupação, PMs discutem fim da greve na Bahia

Atualizado: Quinta-feira, 9 Fevereiro de 2012 as 1:13

Três entidades que representam os policiais militares da Bahia se reuniram em Salvador nesta quinta-feira (9) para discutir os rumos da paralisação e a possibilidade de um acordo sobre reajuste salarial. Nesta manhã, grevistas desocuparam a sede  Assembleia Legislativa do estado, que estava tomada desde 31 de janeiro. Dois líderes do movimento deixaram o local presos.

Além da reunião entre as entidades, cerca de 500 manifestantes, incluindo policiais que estavam no prédio ocupado, também discutem em um ginásio da capital baiana os rumos da greve. Até o começo desta tarde, o governo do estado não havia se pronunciado oficialmente sobre a retomada de negociações.

“Queremos terminar [a greve] hoje de qualquer jeito”, disse ao G1 o sargento Jackson Carvalho, presidente da Associação de Sargentos e Sub-tenentes de Polícia Militar, na manhã desta quinta. O sargento está reunido com representantes das associações que participaram das rodadas de negociação com o governo da Bahia durante a greve dos policiais militares.

Segundo o sargento,  a categoria busca "ajeitar os últimos detalhes" das propostas em negociação. "Estamos discutindo o assunto. Parte da categoria acha viável [a proposta do governo] e parte não acha. Eles [governo] só querem a GAP [Gratificação de Atividade de Polícia] IV para novembro e queremos para março. Eles [governo] querem implementar a GAP V até 2015, queremos conseguir adiantar para 2014. Não queremos manter nada, sim dissolver, acabar", afirma.

Novo ponto de protesto

Vários dos PMs que ocupavam a Assembleia até a manhã desta quinta se juntaram a outros manifestantes em um ginásio do Sindicato dos Bancários, em Salvador. Eles são ligados à Associação de Policiais e Bombeiros e de seus Familiares (Aspra). O grupo não permitiu que a imprensa entrasse no local, mas a estimativa é de que haja 500 pessoas.

Eles entoam gritos em defesa dos PMs e falam em manutenção da paralisação. Segundo o deputado federal Capitão Tadeu, que defende o grupo, a greve ainda não acabou. Um dos soldados grevistas, que faz parte da Justa Reserva da PM e não quer se identificar, conta que o fim da greve depende de o governo acatar o pedido de não punição irrestrita aos grevistas e o pagamento imediato dos benefícios. Segundo ele, o ato de deixar a Assembleia foi uma medida preventiva, por receio de confronto com as Força Armada e Força Nacional de Segurança.

"Todo mundo aceitou, para não ter derramamento de sangue. Prisco lembrou a guerra de Canudos, dizendo que teve muita perda e que a maioria era pai de família. Disse que ia se entregar, mas que a greve continua. Foi stress total lá dentro, ninguém aguentava mais a pressão. Todo mundo armado, tanto nós, quanto lá fora", relatou.

A greve dos PMs na Bahia começou em 31 de janeiro e o governo do estado solicitou auxílio da Força Nacional de Segurança e do Exército para fazer o patrulhamento nas ruas e cercar o prédio da Assembleia, que havia sido tomado pelos grevistas.

GAPs serão votadas

O governo da Bahia afirmou irá enviar um projeto de lei para a Assembleia Legislativa da Bahia, em Salvador, com as datas e os valores do pagamento da Gratificação de Atividade Policial (GAP) IV e V, segundo informações da Secretaria da Casa Civil. A gratificação é um dos principais pontos de negociação entre o governo e os PMs.

Não há definição de quando o projeto de lei será votado pelos deputados estaduais, que retomam as atividades no dia 15 de fevereiro. Segundo o governo, o projeto é tratado como prioritário e deve ser votado já no primeiro dia de funcionamento do legislativo.

Desocupação da Alba

O prédio da Assembleia Legislativa da Bahia, em Salvador, foi liberado na manhã desta quinta-feira (9). O ex-policial militar Marco Prisco, considerado líder do movimento, e o policial Antônio Angelim deixaram o local presos.

A saída dos manifestantes e as prisões ocorreram após o Jornal Nacional divulgar, na quarta-feira (8), conversas gravadas entre os chefes dos PMs grevistas na Bahia que mostram acertos para realização de ações de vandalismo em Salvador.

O líder da Aspra, Marco Prisco, foi flagrado em ao menos um dos telefonemas. Tanto ele quanto Angelim estavam na lista dos 12 integrantes do movimento que eram alvo de mandados de prisão. Até esta manhã, cinco foram presos.

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