MENU

Aumenta o número de mulheres com problemas relacionados ao álcool

Aumenta o número de mulheres com problemas relacionados ao álcool

Atualizado: Terça-feira, 10 Junho de 2008 as 12

Pesquisa divulgada pelo CISA mostra que, na população norte-americana, as mulheres tem se aproximado dos homens nas estatísticas sobre o abuso e dependência de álcool

De acordo com uma pesquisa publicada pela revista científica "Drug and Alcohol Dependence" e recém-divulgada pelo CISA - Centro de Informações sobre Saúde e Álcool ? houve um estreitamento entre os gêneros quanto à prevalência de uso, abuso e dependência de álcool. Até então, na população norte-americana, os homens bebiam mais e tinham mais chances de desenvolver problemas relacionados ao uso de álcool.

Pensando nisso, a pesquisa teve o propósito de investigar a aproximação entre os gêneros quanto ao padrão de uso de álcool, (com ênfase no "binge drinking" ? beber exageradamente em uma única ocasião) e suas prevalências de abuso e dependência.

Foram entrevistadas 43 mil pessoas de idade superior a 18 anos. Foi aplicado um questionário estruturado que continha os critérios diagnósticos de abuso e dependência do DSM-IV e perguntas sobre o comportamento de beber durante o período de maior consumo de álcool na vida.

Assim, conforme os autores, os homens consomem maior número de doses de álcool/ocasião, porém a proporção de uso entre os sexos (homem/mulher) diminuiu com o passar do tempo, caindo de 2,91 (1913-1932) para 2,10 (1968-1984). Já a freqüência de "binge drinking" aumentou entre homens e mulheres com o passar dos anos, porém, a proporção homem/mulher tem diminuído, passando de 10,55 (1913-1932) para 2,66 (1968-1984).

A prevalência de dependência, na vida, também aumentou para ambos os sexos com o passar dos anos, mas a proporção homem/mulher diminuiu de 5,07 (entre 1913 e 1932) para 1,97 (entre 1968 e 1984), assim como a prevalência de abuso de álcool, de 7,14 (de 1933 a 1949) para 1,63 (de 1968 a 1984). Assim como observado às demais variáveis, houve um estreitamento entre os gêneros em relação à taxa de abstinência, que sempre foi maior entre as mulheres.

Portanto, de acordo com os autores, tem havido um efeito significativo da época do nascimento sobre a influência do gênero nas diferentes medidas de consumo de álcool e desordens relacionadas. Embora a participação dos homens tenha sido mais prevalente em todos os comportamentos e transtornos, tem-se testemunhado uma convergência entre os gêneros, das épocas mais antigas às mais recentes. Mecanismos sociais e biológicos que possam explicar essas diferenças devem ser considerados, como, por exemplo, a maior aceitação social do uso de álcool pela mulher atualmente.

Outro resultado que merece atenção é que o comportamento de "binge drinking", que diminuiu entre os homens, tem aumentado entre as mulheres, apontando à necessidade de desenvolver medidas de prevenção e tratamento específicos. Os autores sugerem ainda que "pesquisadores e clínicos não deveriam considerar o grupo de mulheres como pouco provável de desenvolver problemas relacionados ao uso de álcool e deveriam incentivar estudos que examinassem os fatores socioculturais que estejam encorajando a expressão do abuso e dependência de álcool entre elas".

veja também