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Brasileiros encontram dificuldades para conseguir visto americano

Brasileiros encontram dificuldades para conseguir visto americano

Atualizado: Segunda-feira, 27 Junho de 2011 as 8:27

Fila em frente ao consulado americano na capital paulista (Foto: Luciana Bonadio/G1)

  As férias de julho começam nesta semana, tempo de muitas famílias programarem viagens para o exterior. Apesar disso, muitos brasileiros tem passado sufoco para conseguir o visto americano a tempo para a viagem. Alguns têm até optam por ir a outros estados, onde os consulados têm espera menor, em busca da permissão de entrada nos Estados Unidos. Por conta da demanda, foram marcados mutirões de entrevistas. Apenas no consulado de São Paulo aconteceram 2 mil atendimentos no dia 18 de junho. Um novo mutirão acontecerá em 23 de julho na capital paulista e no Rio de Janeiro.

A família da cineasta Paula Bleier passou pela entrevista no consulado americano em São Paulo na quarta-feira (22). As duas filhas e a mãe dela têm viagem marcada para Orlando no dia 4 de julho. Com o feriado desta quinta-feira (23), ela acredita que os passaportes com o visto chegarão a poucos dias do embarque. “Foi um aperto, uma suadeira”, disse. Ela marcou a entrevista no dia 3 de março e só conseguiu uma data disponível para mais de três meses depois. “É difícil, bem difícil. Acho um absurdo”, afirmou.

Família da cineasta Paula Bleier (no meio) irá para

os EUA em julho (Foto: Luciana Bonadio/G1)

  O projetista Renan Alves Pires, de 23 anos, conseguiu o visto durante o mutirão realizado em 18 de junho. Ele adiantou a data entrando repetidas vezes no sistema para verificar alguma desistência. Sem a data extra, ele passaria pela entrevista apenas em outubro e teria que desmarcar a viagem a trabalho prevista para 17 de julho.

Morador de Taubaté, a 140 km de São Paulo, o jovem tentava pela terceira vez tirar o visto. “Faz um ano e dez meses que eu tento viajar. Mas fui negado duas vezes”, disse. Ele aguardava ansioso pela entrevista no consulado de São Paulo. “Se eu não conseguir de novo, chamarei o consulado de Pedro”, brincou, referindo-se "àquele que negou Cristo três vezes". Cerca de uma hora depois de chegar, o jovem recebeu a notícia de que foi aprovado.

Viagem para entrevista

O professor universitário Luiz Sidney Longo Júnior, de 37 anos, irá viajar de São Paulo para Recife em agosto para passar pela entrevista no consulado americano. Com viagem comprada para Nova York no dia 12 de outubro, ele só conseguiu marcá-la a tempo no outro estado. Apesar dos poucos gastos que terá para ir até Pernambuco - ele ficará hospedado na casa de uma amiga e emitiu passagens com milhas - o professor reclamou do transtorno.

Renan Pires aguarda atendimento no consulado

dos EUA em SP (Foto: Paulo Toledo Piza/G1)

  “Eu sei que demora, mas não achei que fosse tanto. Quando eu entrei no sistema para fazer o agendamento em São Paulo, o próximo horário vago era 14 de outubro. O único que estava mais tranquilo era Recife, onde consegui agendar para 11 de agosto. Se eu tivesse marcado o visto com um mês de antecedência até entenderia, mas são quatro meses. A questão não é nem o gasto, mas o transtorno”, contou.

O advogado Carlos Alberto Ferreira dos Santos Júnior, de 40 anos, também precisou viajar até o Rio de Janeiro no ano passado para renovar o visto. “Marquei lá porque era muito mais rápido”, afirmou o morador de São Paulo. “Se fosse o primeiro visto, eu entenderia a necessidade de várias análises. Como era renovação, não vejo por que tanta burocracia.”

De acordo com o cônsul-geral dos Estados Unidos em São Paulo, Thomas Kelly, o consulado da capital paulista é o que mais emite vistos em todo o mundo. Apenas em 2010, 320 mil pessoas receberam autorização para entrar em território americano por meio do escritório paulistano. “A demanda vem crescendo. Neste ano aumentou 36%”, disse.

Ele acrescentou que a taxa de aprovação de vistos é superior a 95%. “É muito importante para a economia americana que os brasileiros viajem para lá. Os brasileiros são os que mais gastam nos Estados Unidos”, afirmou. Para facilitar a vida de quem quer viajar, todos os 20 funcionários responsáveis pelas entrevistas trabalharam no sábado do mutirão.

Frustração no Rio

Depois de mais de cinco anos de estresse e mais de R$ 5 mil gastos em vão, a securitária carioca Magali de Fátima Alves da Rocha desistiu de conseguir um visto para os Estados Unidos. Magali trabalha há mais de 20 anos em uma empresa de seguro de grande porte, é casada e tem uma filha que sempre sonhou em ir para a Disney.

A primeira tentativa para conseguir o visto foi em 2006, quando ela pensou em visitar a irmã, que mora nos Estados Unidos e é cidadã americana. Ela também queria conhecer o mais famoso parque de diversões do país, em Orlando. Na época, a filha tinha 3 anos. “Disseram que não estavam dispostos a dar o visto naquele momento. Eles não te permitem nem argumentar, fingem que não te escutam”, contou.        

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