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Cantor Wando é enterrado em cemitério de Belo Horizonte

Cantor Wando é enterrado em cemitério de Belo Horizonte

Atualizado: Quinta-feira, 9 Fevereiro de 2012 as 1:06

O cantor Wando foi enterrado no fim da manhã desta quinta-feira (9) no Cemitério Bosque da Esperança, em Belo Horizonte. A estimativa da administração é que seis mil pessoas se despediram do artista desde a tarde desta quarta (8).

O enterro foi antecedido de missa de corpo presente, celebrada pelo padre Jefferson Lima, amigo da família e celebrante do último casamento de Wando. O velório foi repleto de homenagens e de muita emoção. A irmã do cantor, a cabeleireira Maria das Graças Reis, 53 anos, sentiu-se mal, mas se recuperou a tempo do enterro.

Nos momentos finais da despedida, um cortejo formado por familiares e fãs seguiu o caixão, e encerrou a cerimônia com preces. Renata Costa Lana e Souza, mulher de Wando, depositou rosas vermelhas sobre o caixão no momento da descida.

Coroas de flores foram enviadas pela cantora Claudia Leitte, pelo governador de Minas Gerais, Antonio Anastasia, pelos senadores Aécio Neves (MG) e Fernando Collor (AL), e pela atriz mineira Gorete Milagres, dentre outros. Uma delas, cheia de calcinhas, foi encomendada por um grupo de fãs. Um fã clube de mulheres cantou sucessos românticos ao lado do caixão enquanto carregavam LPs e fotos de Wando.

O vereador Aguinaldo Timóteo e o cantor Márcio Greyck compareceram ao cemitério. Na manhã desta quinta-feira (9), Timóteo fez recordações sobre o amigo. “Wando será lembrado pela irreverência, simplicidade e alegria. Vai deixar saudade”.  Ele também fez referência a Elis Regina, Raul Seixas e Tim Maia e disse que “infelizmente muitos artistas não se cuidam como deveriam”. Greyck lamentou a perda e disse que Wando era um dos talentos da música popular brasileira. “Uma perda irreparável. As músicas dele vão ficar na memória do povo”, falou na noite desta quarta-feira (8).

Morte de Wando

O músico morreu nesta quarta-feira, em decorrência de uma parada cardiorrespiratória, no Biocor Instituto, em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, onde estava internado desde o dia 27 de janeiro.

Médicos que atenderam o cantor e familiares informaram em nota que, a partir das 5h40, houve um súbito agravamento do quadro de saúde de Wando. Em coletiva no fim da manhã desta quarta-feira (8), o coordenador do Centro de Terapia Intensiva (CTI), Heberth Miotto, explicou que a pressão arterial caiu bruscamente e, às 6h40, o paciente teve uma parada cardíaca. O óbito aconteceu às 8h, na presença da mulher de Wando, Renata Costa Lana e Souza.

Segundo o cardiologista particular do cantor, foram feitas manobras de ressuscitação, mas o paciente não resistiu. Durante a coletiva, Dionísio disse que havia alertado Wando sobre o excesso de peso e a necessidade de ter uma vida mais saudável. "Infelizmente não deu tempo", disse. De acordo com o boletim médico divulgado na terça-feira (7), ele apresentava quadro estável e melhora progressiva, mas a recuperação ainda era considerada de alto risco.

Wando foi hospitalizado com quadro de angina de peito, e exames apontaram que as três artérias coronárias do coração estavam entupidas por placas de gordura. Ele estava com 110 quilos no momento da internação, 30 a mais do que o recomendado para a altura dele, segundo o cardiologista particular. O cantor chegou a ser submetido a duas cirurgias e havia tido um infarto agudo dentro do hospital. Segundo os médicos, ele tinha três fatores de risco para doenças do coração, que são sedentarismo, excesso de peso e predisposição genética.

De feirante a ídolo romântico

Vanderley Alves dos Reis nasceu em 2 de outubro de 1945 – “num arraial chamado Bom Jardim [em Minas Gerais]”. Lá, ficava a fazenda que teria pertencido aos seus avós. Seu registro, no entanto, foi feito na cidade de Cajuri, no mesmo estado. Ele conta que, ainda criança, mudou-se para Juiz de Fora (MG), onde concluiu o antigo primário.

Mais tarde, ele foi para Volta Redonda (RJ), “onde eu entreguei leite nas casas, vendi jornal, virei feirante, dirigi caminhão na estrada”. Na mesma época, passou a se interessar por música, tendo inicialmente se dedicado ao estudo do “violão clássico”. “E aí eu descobri que não era legal o violão clássico para o que eu queria: eu queria tocar pras moças, né?”, afirmou em seu site oficial.
Entre álbuns de estúdio e registros ao vivo, o site de Wando contabiliza 28 trabalhos ao todo. O cantor acreditava ter vendido dez milhões de discos.

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