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Cineasta Jafar Panahi é libertado no Irã

Cineasta Jafar Panahi é libertado no Irã

Atualizado: Terça-feira, 25 Maio de 2010 as 12:13

O cineasta iraniano Jafar Panahi, preso desde 1° de março, foi libertado sob fiança nesta terça-feira, declarou à AFP sua mulher, Tahereh Saeedi, confirmando um comunicado da procuradoria de Teerã.

"Sim, ele foi libertado. Está bem", declarou Saeedi por telefone. "Vamos levá-lo ao médico", completou. Panahi iniciou há dez dias uma greve de fome para protestar contra sua prisão. Ele dexou a cadeia após o pagamento de uma fiança de 160 mil euros.

O cineasta, de 49 anos, que apoia abertamente a oposição ao presidente Mahmoud Ahmadinejad, foi preso em 1° de março em sua casa em Teerã juntamente a outras 16 pessoas.

O Ministério da Cultura iraniano afirmou em meados de abril que esta prisão estava relacionada ao fato de o diretor estar "preparando um filme contra o regime, sobre os acontecimentos posteriores às eleições", o que Panahi nega.

Sua prisão provocou uma onda de indignação internacional, e muitas personalidades pediram sua libertação, particularmente nos últimos dias, durante o Festival de Cannes, no qual o diretor faria parte do júri.

Durante a premiação de Cannes, Juliette Binoche, eleita a melhor atriz do Festival, levantou um cartaz pedindo a libertação do cineasta iraniano, e antes disso, na semana anterior, o cineasta afirmou ser inocente através de uma carta.

"Sou inocente. Não cometi nenhum filme contra o regime iraniano", disse na mensagem.

Impedido de integrar o júri do Festival, o cineasta mandou na ocasião "calorosos abraços de minha pequena e escura cela na prisão de Evin", cumprimentando aqueles que "junto com minha mulher, minhas crianças e conterrâneos vieram me visitar no lado de fora e estão trabalhando para que eu seja libertado".

Crítica social

Panahi, de 49 anos, é conhecido pela corajosa crítica social de seus filmes, tais como "O círculo", que lhe rendeu o Leão de Ouro do Festival de Veneza, em 2000, "Ouro carmim" e "Fora do jogo", ganhador, em 2006, do Urso de Prata do Festival de Berlim.

Em fevereiro passado, as autoridades proibiram Panahi de deixar o país para participar do Festival de Berlim. E em março, o diretor de cinema premiado foi detido porque, segundo o ministério da Cultura e Orientação Islâmica, estava fazendo um filme contra o regime.

Simpatizante do movimento oposicionista, Panahi foi preso depois que forças de segurança fizeram uma incursão em sua casa, em Teerã, em 1º de março.

Cinquenta cineastas e artistas iranianos assinaram uma carta, em meados daquele mês, instando as autoridades a libertá-lo.

Os filmes iranianos têm-se destacado nas últimas décadas graças a Panahi e a diversos outros renomados cineastas, como Abbas Kiarostami, mas a censura do Estado liderado pelo presidente Mahmoud Ahmadinejad torna difícil o trabalho desses artistas no Irã.

A reeleição de Ahmadinejad em junho de 2009 produziu uma série de manifestações nas ruas do país, que causaram confrontos com as forças de segurança, deixando mortos e presos.

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