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Cirque du Soleil faz seleção para trabalho temporário em espetáculo em SP

Cirque du Soleil faz seleção para trabalho temporário em espetáculo em SP

Atualizado: Quarta-feira, 13 Janeiro de 2010 as 12

Na ficha de seleção de emprego, é preciso responder a perguntas como o que gosta de fazer durante o tempo livre, os hobbies, que atividades culturais e artísticas participa e se já viajou ou morou no exterior. Para todas as vagas, é preciso ensino médio completo e desenvoltura. Para algumas, inglês fluente é fundamental. Esses são os critérios que estão sendo analisados pela empresa de recrutamento de pessoal contratada pelo Cirque du Soleil para selecionar garçons, bilheteiros, camareiros, costureiras, recepcionistas e auxiliares de administração que irão trabalhar durante a temporada do espetáculo "Quidam", na capital paulista, a partir de 19 de fevereiro.

"Mais que competência técnica, estamos procurando candidatos que tenham brilho no olhos, que tenham encantamento. É preciso um bom português, boa dicção, usar poucas gírias e não ter vergonha de lidar com o público", explica Gerusa Mengarda, gerente de recrutamento e seleção da Allis.

São 200 vagas temporárias com salários que variam entre R$ 800 e R$ 1.500 para trabalhar seis dias por semana, com carga horária podendo variar de quatro a oito horas diárias. A expectativa é que 2 mil pessoas participem da seleção, que vai até 30 de janeiro, repetindo os números das seleções de outras cidades que "Quidam" já passou – Salvador, Fortaleza, Recife, Belo Horizonte, Curitiba, Brasília e Rio de Janeiro.

Gerusa diz que a maioria dos que se interessam pelas vagas são universitários e pessoas que procuram um enriquecimento cultural. "Algumas encaram o trabalho no circo como um intercâmbio dentro do próprio país", diz. Mas na seleção feita num prédio do Centro de São Paulo, o que se vê são candidatos que desenvolvem atividades ligadas ao teatro e à moda e veem uma oportunidade de estarem em contato com a companhia circense mais famosa do mundo.

Há três anos no Brasil, a bailarina cubana Rocio de Amor, de 24 anos, não sabia a que vaga se candidatar. "Qualquer trabalho vale a pena para estar perto do Cique du Soleil", dizia. A falta de inglês fluente era o principal entrave para ela disputar uma vaga de camareira. "Trabalhar nos camarins, ter contato com outros bailarinos seria fundamental para mim", diz a bailarina, que estudava balé no Instituto Superior de Arte de Cuba antes de deixar o país.

O inglês também complica os sonhos do ator Rafael Ceconi, de 19 anos. Ainda assim, para estar perto dos artistas do circo, ele tentará uma vaga de assistente administrativo. "Lidar com o público é algo que não tenho problema. Gostaria mesmo de estar perto da trupe. É ter a sensação de fazer parte do espetáculo, mesmo estando na coxia", diz.

A estudante de design de moda Camila Ribeiro, de 21 anos, promete estudar muito a língua inglesa até a segunda fase da seleção para ficar bem perto dos artistas do circo. "Quero saber como é construída essa magia e quero colocar o circo nas minhas roupas", diz a futura estilista.

A língua estrangeira não é problema para a recepcionista Márcia Goldsztain, de 45 anos. Encantada com o trabalho do circo, ela disputa uma vaga de recepcionista bilíngue. "Já vi o espetáculo 'Alegria' e agora quero ver o que tem por trás da mágica", diz a recepcionista, que, por 12 anos, trabalhou em hotéis da Europa.

Dificuldades

Segundo a gerente de recrutamento e seleção da Allis, Gerusa Mengarda, a maior dificuldade tem sido a seleção de garçons, que têm salário de R$ 800. "Além de precisarmos de profissionais que saibam servir champanhe e lidar com um público qualificado, alguns desistem porque conseguem um rendimento maior com trabalhos temporários."

O Rio de Janeiro foi a cidade onde a empresa mais encontrou problemas com a seleção de pessoal. Isso porque boa parte da mão de obra qualificada foi contratada para as vagas temporárias de fim de ano no comércio e porque os universitários já estavam de férias.

As oportunidades de efetivação são raríssimas. Ainda assim, durante a palestra de apresentação das vagas é citado o caso de uma auxiliar de cozinha baiana contratada temporariamente e que hoje segue a trupe do Cirque du Soleil em todo o mundo.

Por: Bruno Zevedo

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