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Corpo de José Alencar será velado nesta quarta-feira em Brasília

Corpo de José Alencar será velado nesta quarta-feira em Brasília

Atualizado: Quarta-feira, 30 Março de 2011 as 8:12

O corpo do ex-vice-presidente José Alencar deixou o hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, por volta das 7h desta quarta-feira em direção ao aeroporto de Congonhas, de onde seguirá viagem para Brasília.

Um avião da FAB (Força Aérea Brasileira) levará o corpo de Alencar até a Base Aérea de Brasília, onde será recebido com honras fúnebres pelos presidentes da República, Michel Temer (interino), do Senado, José Sarney, da Câmara, Marco Maia, e do Supremo Tribunal Federal (STF), Cesar Peluso.

O corpo seguirá então em cortejo pela cidade em um carro do Corpo de Bombeiros até o Palácio do Planalto, onde será velado no Salão Nobre.

O político morreu às 14h41 de terça-feira, aos 79 anos, no hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, vítima de câncer.

Preparativos no Salão Nobre do Palacio do Planalto para receber o corpo do ex-vice-presidente José Alencar

Alencar foi internado na segunda-feira com quadro de suboclusão intestinal. Segundo nota do hospital, teve teve falência múltipla de órgãos. Ele enfrentava a doença havia mais de 15 anos, passou por 17 cirurgias e várias internações.

A presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva devem chegar a Brasília por volta das 17h de hoje de Portugal --eles encurtaram a visita de dois dias ao país.

"Nós estamos num momento de muito sentimento. Foi uma grande honra ter convivido com o José Alencar. Ele é uma daquelas pessoas que vai deixar uma marca indelével na vida de cada um de nós", afirmou Dilma em Coimbra.

Lula, por sua vez, lembrou da relação de irmão que tinha com o ex-vice e dedicou a ele o prêmio que recebeu. "É um momento de muita dor e muito sofrimento. Era uma relação de companheiros. Eu falava com ele praticamente toda semana. Visitava ele. O otimismo dele era uma coisa que causava uma inveja na gente."

Na quinta-feira, o corpo de Alencar será velado em Belo Horizonte, no Palácio da Liberdade. O governador de Minas, Antonio Anastasia (PSDB), decretou sete dias de luto oficial no Estado pela morte de Alencar. O horário e local do enterro ainda não foram confirmados.

COTEMINAS

O ex-vice entrou na política graças a sua atuação empresarial bem sucedida. O sucesso frente à Coteminas, uma das maiores indústrias de tecido do Brasil, o levou para instituições que o colocaram em contato direto com a sociedade civil.

Alencar passou pelas associações comerciais de Caratinga e de Ubá, pela Associação Comercial de Minas e pela Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte. Essa trajetória culminou com sua eleição para presidente da FIEMG (Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais), que o projetou nacionalmente.

Os recursos do Sesi e do Senai --ligados à FIEMG-- o colocou em contato com setores ligado à educação, cultura, saúde, esporte e lazer.

POLÍTICA

A visibilidade em Minas impeliu Alencar a entrar para a política, e em 1993 ele se filiou ao PMDB. No ano seguinte, ele se lançou candidato ao Governo de Minas, quando ficou em terceiro lugar. Em 1998, ele tentou uma vaga no Senado Federal por seu Estado: acabou eleito com quase 3 milhões de votos.

No Senado, foi presidente da Comissão Permanente de Serviço de Infraestrutura, membro da Comissão Permanente de Assuntos Econômicos e membro da Comissão Permanente de Assuntos Sociais.

PLANALTO

O passo mais importante na política, no entanto, aconteceu na eleição presidencial de 2002, quando, já pelo PL, ele foi o vice na chapa vencedora encabeçada pelo petista Luiz Inácio Lula da Silva.

No início, Alencar foi um vice polêmico. Ele se notabilizou como um dos principais críticos da política econômica do governo. Suas farpas miravam principalmente a política de juros altos do governo, que tentava, com isso, conter a inflação.

As críticas renderam reclamações da equipe econômica e conversas reservadas com o presidente.

Mas foi a pedido de Lula que a partir de 2004 ele passou a acumular os cargos de vice-presidente e de ministro da Defesa. Ele comandou o ministério até março de 2006.

Foi também naquele ano que a dupla Lula-Alencar disputou e venceu a reeleição presidencial, o que permitiu sua permanência no poder até o final do mandato.

Alencar, casado com Mariza Campos Gomes da Silva, deixa três filhos (Maria da Graça, Patrícia e Josué) e cinco netos: Ricardo, Geovana, Barbará, Josué e Davi.

PATERNIDADE

Em julho do ano passado, o ex-vice foi declarado oficialmente pai de Rosemary, depois do julgamento de uma ação de reconhecimento de paternidade ajuizada por ela em 2001. Na ocasião, o juiz José Antonio de Oliveira Cordeiro, da comarca de Caratinga, determinou que ela passasse a usar o mesmo sobrenome dele.

A professora alega ser fruto de um romance entre Alencar e a enfermeira Francisca Nicolina de Morais, em 1954, quando ambos moravam em Caratinga.

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