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Defesa desiste de ouvir depoimento da mãe de Eloá no segundo dia

Defesa desiste de ouvir depoimento da mãe de Eloá no segundo

Atualizado: Terça-feira, 14 Fevereiro de 2012 as 11:49

A advogada de defesa de Lindemberg Alves desistiu de ouvir a mãe de Eloá Pimentel no segundo dia de julgamento do caso, que ocorre em Santo André (Grande SP). Ana Cristina Pimentel chegou a entrar no plenário e encarou o réu.

A defesa, porém, recuou e disse que não a queria mais como testemunha, dando início a uma discussão. A advogada Ana Lúcia Assad chegou a ameaçar deixar o plenário. Ao fim, a promotoria aceitou, e a testemunha foi dispensada. Ainda não se sabe se o irmão mais novo de Eloá também será dispensado.

Em entrevista aos jornalistas, Ana Cristina disse que se sentia humilhada por ter sido dispensada.

O julgamento de Lindemberg, que em outubro de 2008 manteve sua ex-namorada Eloá, de 15 anos, como refém por cerca de cem horas, foi reiniciado na manhã de hoje no Fórum de Santo André, no ABC Paulista.

Ontem, a juíza Milena Dias, que conduz o julgamento, havia aceitado o pedido da defesa e autorizou a inclusão da mãe e do irmão mais novo da jovem como testemunhas. Nos bastidores, afirma-se que o pedido da defesa seria uma estratégia para retirar a mãe de Eloá do plenário, evitando que ela comovesse os jurados.

Com as alterações, Ana Cristina Pimentel, mãe de Eloá, seria ouvida no lugar do perito Nelson Gonçalves. O irmão mais novo da vítima, Everton Douglas, que também era amigo de Lindemberg, deve ser ouvido no lugar da jornalista Ana Paula Neves.

Os jornalistas Sonia Abrão, Roberto Cabrini e Gotino, e o perito Ricardo Molina foram dispensados e não vão testemunhar. O júri, que foi sorteado momentos antes de início do julgamento ontem, é formado por seis homens e uma mulher.

Hoje já foram ouvidas duas testemunhas. Uma delas foi o irmão mais velho de Eloá, Ronickson Pimentel, que se emocionou durante o depoimento. Ele chegou a afirmar que Lindemberg é "um mostro", mas sua família o tratava "como um filho".

Depois de Ronickson, começaram a ser ouvidas as dez testemunhas convocadas pela defesa. A previsão é que o julgamento dure até quarta ou quinta-feira.

Após os depoimentos das testemunhas, o réu será interrogado –Lindemberg, que até agora se recusou a falar, poderá permanecer calado, mas sua advogada já adiantou que ele vai falar sobre o caso e "expor sua versão". Depois dessa etapa, os debates são abertos, com uma hora e meia para a acusação e uma hora e meia para a defesa, além da réplica e da tréplica.

Primeiro dia de julgamento

O primeiro dia de julgamento durou pouco mais de nove horas e foi encerrado às 20h de segunda-feira (13). As quatro testemunhas que prestaram depoimento confirmaram que Lindemberg fazia ameaças de morte durante o cárcere privado. O testemunho mais esperado do dia era o da amiga de Eloá, Nayara Rodrigues, que foi feita refém junto com a jovem. Nayara pediu que Lindemberg fosse retirado da sala enquanto ela falasse.

A jovem, que foi ferida por um tiro no rosto quando a polícia invadiu o local, disse que o réu agrediu Eloá durante o período de cativeiro e que a vítima dizia o tempo todo que “sabia que ia morrer”. Nayara afirmou que ouviu três disparos antes da entrada da polícia no apartamento –o que comprova a tese da acusação, de que os tiros partiram do réu e não da polícia.

A amiga de Eloá também falou sobre o comportamento do ex-namorado da vítima. “Lindemberg passou a perseguir a Eloá depois que eles terminaram o namoro”, completou. Segundo a jovem, ele a considerava uma má influência para a vítima. "Ele tinha raiva de mim e da minha mãe porque a Eloá andava dormindo lá em casa e a gente saia bastante. Ele dizia que eu a influenciava diretamente."

Já sobre o comportamento do réu durante o cárcere, ela afirmou que Lindemberg dava risada e se vangloriava pela repercussão do caso na mídia. "Na televisão só passava isso [relatos do caso]", disse Nayara.

A advogada de defesa, Ana Lúcia Assad, questionou o teor do depoimento. “A Nayara mentiu e inventou (...). Por ela ser vítima, o depoimento dela é um depoimento suspeito”, disse. “Ela foi bem orientada por seu advogado, até simulou um choro, uma emoção, para dramatizar.”

Outros dois amigos de Eloá, que também foram mantidos reféns, afirmaram que Lindemberg os ameaçava de morte. "Ele dizia que ia fazer uma besteira", disse Victor Lopes de Campos respondendo às perguntas da promotora Daniela Hashimoto. Já Iago Oliveira afirmou que "ele ameaçava a Eloá a toda hora, e dizia que ela não ia sair viva de lá: ou ele ia matar todo mundo e se matar, ou matar a Eloá e se matar".

O sargento Atos Antonio Valeriano, policial militar que iniciou o trabalho de negociação com Lindemberg, disse que o jovem estava nervoso e dizia que “ia matar os quatro” e depois ameaçava também se matar.

Entenda o caso

Lindemberg Fernandes Alves, então com 22 anos, invadiu o apartamento de sua ex-namorada Eloá Cristina Pimentel, 15, no segundo andar de um conjunto habitacional na periferia de Santo André, na

Grande São Paulo, no dia 13 de outubro de 2008. Armado, ele fez reféns a ex-namorada e outros três amigos dela, que estavam reunidos para fazer um trabalho da escola.

Em mais de cem horas de tensão, Lindemberg chegou a libertar todos os amigos, mas Nayara Rodrigues acabou voltando ao cativeiro, no ponto mais polêmico da tragédia --a polícia, que trabalhava nas negociações, foi bastante criticada por ter permitido o retorno.

Em depoimento, Nayara afirmou que, após ter sido liberada, foi procurada por policiais que queriam que ela tentasse convencer Lindemberg a libertar Eloá pelo telefone. Então ela os acompanhou até o local do sequestro e foi orientada pelo rapaz ao celular a subir as escadas. Nayara disse que Lindemberg prometeu que os três desceriam juntos, mas, quando chegou à porta, viu que ele estava com a arma apontada para a cabeça de Eloá. Então, ele puxou Nayara para dentro do apartamento e não a libertou mais.

Mais tarde, policiais militares do Gate (Grupo de Ações Táticas Especiais) invadiram o apartamento, afirmando que ouviram um estampido do local. Em seguida, foram ouvidos tiros. Dois deles atingiram Eloá, um na cabeça e outro na virilha, e outro atingiu o nariz de Nayara. Eloá morreu horas depois. Lindemberg foi preso.

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