Delegacia especializada vai investigar briga entre punks e skinheads

Delegacia especializada vai investigar briga entre punks e skinheads

Fonte: Atualizado: sábado, 31 de maio de 2014 09:28

Uma delegacia especializada da Polícia Civil de São Paulo vai investigar a briga entre skinheads e punks, que resultou na morte de um jovem, deixou outro internado em estado grave e ainda deixou várias pessoas feridas no sábado (3) em frente a uma casa noturna na Zona Oeste da capital paulista. A Decradi Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) vai apurar o caso, segundo informou na manhã desta segunda-feira (5) a assessoria de imprensa da Secretaria da Segurança Pública do Estado de SP. A ocorrência havia sido registrada anteriormente no 14 Distrito Policial, em Pinheiros, na Zona Oeste, como crime de homicídio e lesão corporal.

"Mas devido a sua complexidade, envolvendo brigas de gangues de grupos de intolerância, pedi para que o caso fosse remetido a Decradi", afirmou o delegado Ricardo Arantes Cestari, titular do 14 DP.

A briga entre skinheads e punks que havia sido agendada pela internet para acontecer no sábado passado, dia de um show de uma banda de rock numa casa noturna na Zona Oeste de São Paulo. Os organizadores do evento haviam enviado um ofício à PM no dia 29 de agosto pedindo mais policiamento na região por conta do confronto que foi marcado pelas redes sociais.

Ao todo, 200 pessoas atenderam ao chamado para o conflito. E apesar do alerta à Polícia Militar, no dia 3, uma pessoa morreu esfaqueada e outra ficou gravemente ferida na briga entre skinheads e punks em frente ao bar onde acontecia a apresentação musical. Outras dezenas ficaram feridas. Na hora da confusão, cerca de 400 pessoas estavam na rua.

O produtor de eventos da casa, Ricardo Garcia, diz que tomou esta precaução porque na internet estavam circulando boatos de que os grupos rivais poderiam se enfrentar.

“Com certeza, foi uma briga marcada. Isso foi bem claro. Skinheads, punks, não dá para definir se são gangues opostas. Hoje na internet é tudo muito globalizado. A gente entra nas comunidades dessas bandas especificas até para se fazer propaganda do evento e lá você consegue essas informações de que poderia haver algum tipo de encontro entre duas gangues rivais. Não me recordo o nome delas, mas poderia, sim, haver um encontro”, contou o produtor Ricardo Garcia.     Punk morto

O punk Johni Raoni Falcão Galanciak, de 25 anos, foi esfaqueado e chegou a ser socorrido pelos médicos da ambulância particular contratada pela organização do show. Mas ao chegar ao hospital não resistiu aos ferimentos e morreu. Ele já teve passagens pela polícia por envolvimento em outras brigas. Em 2007, ele foi detido acusado de participar do espancamento de um estudante de 17 anos.

A mãe de Johni Raoni, a professora Patrícia Conceição, diz que quem bateu no filho dela tinha um objetivo claro. “A intenção era matar. Era ódio. É isso que está em jogo. Peço à sociedade brasileira que fique de olho nisso. Eu espero que haja justiça, averiguação e que os responsáveis sejam presos e punidos”, disse.

A outra vítima continua internada no Hospital das Clínicas. O quadro de saúde é grave. A suspeita da polícia é de que se trata de um skinhead.

A rivalidade entre os dois grupos é histórica. Desde 2003, os skinheads se envolveram em várias agressões contra negros e homossexuais.

Testemunha

Uma testemunha assistiu ao confronto da sacada do apartamento.“Dava para ver que o grupo estava desprotegido. O outro grupo, dos skinheads, ateava fogo, atirou pau e pedras. Eles estavam vindo para cima com muita violência. Um absurdo, é uma coisa que não dá para explicar. Não tem uma razão para um ser chegar a uma tal situação de violência”, relatou a testemunha.

Polícia Militar

Procurada para comentar a informação de que foi avisada com quase uma semana de antecedência sobre um possível confronto, que acabou se confirmando, a PM informou que realizou patrulhamentos ostensivos no sábado para tentar coibir qualquer briga na região da casa de shows.

“De fato recebemos esse pedido [solicitando mais policiamento na região]. Naquele sábado, a partir das 15h30 foi destinado para lá duas viaturas da Força Tática, três Rocans, ou seja seis motos da Polícia Militar, além da viatura do setor, territorial. Foi feito contato às 16h30 com o organizador do evento mostrando a presença policial. E dali, as viaturas começaram a patrulhar nas imediações, sabendo que esse grupo, já mapeado anteriormente pela Polícia Militar, pelo serviço de inteligência, que eles poderiam...Aliás, estar presente eles estariam, mas poderia haver um confronto, né? Previamente essas patrulhas patrulhavam...”, afirmou o capitão Cleodato Moisés, porta-voz do Comando de Policiamento da PM.

“Bom, eles estão determinados ao confronto. Então poderia ser como foi na frente da casa de show como poderia ser no outro quarteirão, no metrô Clínicas, ou seja o patrulhamento estava intensificando o patrulhamento nas imediações, metrôs outros quarteirões. E no momento do confronto, uma patrulha da Rocam estava no local e mesmo assim houve o confronto. De imediato chegaram 15 policiais. Dispersou o grupo e lá estavam duas pessoas caídas, quatro facas localizadas e detido oito pessoas”, disse o capitão Moisés.

A confusão que aconteceu em frente ao bar na Rua Cardeal Arcoverde foi registrada no 14º Distrito Policial, em Pinheiros, também na Zona Oeste. Oito pessoas foram detidas por suspeita na briga e levadas para a delegacia, onde acabaram liberadas após prestarem depoimento. Segundo a Polícia Civil, além das quatro facas, também foram apreendidos dois skates, estilingue e bolinhas de gude.          

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