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Dilma diz que salário mínimo deve superar os R$ 600 em 2011

Dilma diz que salário mínimo deve superar os R$ 600 em 2011

Atualizado: Quarta-feira, 3 Novembro de 2010 as 1:16

A presidente eleita Dilma Rousseff disse nesta quarta-feira (3), durante entrevista no Palácio do Planalto, que o salário minimo deve ter um aumento no ano que vem.  "O salário mínimo deve estar acima de R$ 600 no fim de 2011", afirmou.

Dilma defendeu o critério atual de reajuste de salário mínimo, baseado na inflação e no crescimento anual do Produto Interno Bruto (PIB), mas afirmou que pode estudar meios de compensar o pequeno reajuste do mínimo para este ano em decorrência do baixo crescimento da economia em 2009.

"No salário mínimo, temos um critério que considero muito bom, baseado na inflação e no PIB. Temos o problema que o PIB de 2009 se aproxima do zero, até um pouco menos de zero. O Brasil teve uma recuperação muito forte, então estamos avaliando se é possível fazer essa compensação", afirmou.

No entanto, segundo ela, a expectativa de alto crescimento do PIB em 2010 garante que no final de 2011 e inicio de 2012 o mínimo ultrapasse R$ 600. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também defendeu o critério atual de reajuste e criticou a proposta do ex-candidato do PSDB à Presidência José Serra de elevar o salário mínimo para R$ 600 neste ano.

"O povo não é mais massa de manobra. O povo sabe o que é política séria e o que é promessa. A Dilma se elegeu sem precisar fazer promessa fácil", disse.

CPMF

A presidente eleita disse ainda que terá as áreas de saúde e educação como prioridade no seu governo.

Segundo ela,  há "uma pressão" de governadores para que seja compensado o fim da CPMF e disse que está disposta a negociar com eles. Mas, ela afirmou que não pretende enviar uma proposta de novo tributo para o Congresso Nacional.

"Eu tenho muita preocupação com a criação de impostos. Preferia outros mecanismos, mas tenho visto uma pressão dos governadores, não posso fingir que não existe. [...] Não pretendo reenviar ao Congresso a recomposição da CPMF, mas isso será objeto de negociação com os governadores", declarou.

Sobre o MST, Dilma disse ser contra contra invasão de prédios e propriedades privadas  e disse que o país tem terra suficiente que a solução é criar pequenas propriedades para os agricultores

A presidente eleita disse, em relação ao desenvolvimento da região, ter "um compromisso com o Nordeste" e afirmou que pretende levar adiante o projeto do trem-bala entre São Paulo e Rio. "É um absurdo achar que o trem-bala não precisa ser feito", declarou.

Composição do governo

Sobre a composição do novo governo, Dilma disse que ainda "não está madura" a discussão sobre a escolha dos ministros. Questionada se manteria alguns nomes que atuaram no governo Lula, ela afirmou que pretende dar continuidade aos projetos existentes, mas que isso não se reflete, necessariamente, na "continuidade de pessoas".

"Não estou falando agora de continuidade de pessoas nos ministérios. Ainda não está madura a discussão sobre a seleção dos ministros. Vou exigir competência técnica e histórico de pessoas que não tenham problema de nenhuma órdem. Também considero importante o critério político", disse.

Ela afirmou que o PMDB não está fazendo pressão para ocupar cargos importantes e disse que a distribuição dos ministérios não funcionará como "partilha". "Tenho conversado muito com o vice Michel Temer e temos criado uma convicção de que esse governo não se pautará numa partilha. Deve ter um problema de comunicação comigo, porque o PMDB nunca chegou para mim pedindo cargo. Estou participando desse processo sem conflito", disse.

A presidente eleita afirmou ainda que não vai admitir que ministros façam "sombra" a ela e ao governo. "Quando há o sol bem violento que atinge a cidade, sou a favor de sombra. Mas quando às demais sombras, não acho que seja compatível. Acho que os ministros têm que ser competentes e não sombras."

MST

Dilma disse que é favor do díalogo com o movimentos sociais, como o Movimento dos Sem-Terra (MST), mas que não admitirá "ilegalidades e invasões". Ela defendeu que os assentados tenham condições para gerar renda e afirmou que há terras suficientes no país para concluir a reforma agrária se violência.

"No que se refere ao MST, sempre me neguei a tratar o MST como caso de polícia. Agora, não compactuo com ilegalidade nem com invasão de prédios públicose de propriedades devidamente administradas", disse.

Política externa

A presidente eleita também falou sobre os rumos que a política externa deve tomar no próximo governo. Ela disse que vai dialogar "em paz" como todos os países, inclusive o Irã. "O diálogo continua com todos os países, não só com Teerã. Não temos uma política de agressão e violência. Quem quiser dialogar conosco na paz, nós vamos dialogar."

No entanto, Dilma disse que será "intransigente" com o desrespeito aos direitos humanos e irá manifestar o desacordo através da diplomacia. "Tenho uma postura bastante intransigente em relação aos direitos humanos e ela se reflete no plano da diplomacia numa manifestação de defesa dos direitos humanos. Essa manifestação não é necessariamente estrondosa. Às vezes é preciso negociar", afirmou.

Dilma disse que não irá mais a Moçambique, na África, com o presidente Lula, como foi anunciado nesta semana, porque fará na próxima segunda (8) uma reunião com a equipe de transição de governo. A presidente confirmou, contudo, que vai participar ao lado de Lula das reuniões do G-20, em Seul, capital da Coréia do Sul.

Por: Nathalia Passarinho

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