Eficácia de plano de combate ao crack é questionada

Eficácia de plano de combate ao crack é questionada

Atualizado: Sexta-feira, 21 Maio de 2010 as 11:18

Em cinco anos, o número de usuários de crack quase dobrou no Brasil: de 380 mil para 600 mil. O problema agora mobiliza o governo federal, que planeja dobrar o número de vagas para internação de usuários neste ano - de 2,5 mil para 5 mil - e lançou ontem um programa de R$ 410 milhões. Mas o exemplo das medidas for São Paulo, base das ações governamentais anteriores, o desafio está longe de ser vencido.

O presidente Lula defendeu a ação conjunta de diferentes esferas governamentais e entidades:

- Vamos querer que os prefeitos, governadores, sindicatos, igrejas, todos participem, queremos enfrentar isso de modo decisivo. ,

O sociólogo Luiz Flávio Sapori, coordenador do Centro de Estudos e Pesquisa em Segurança Pública da PUC-Minas, que finaliza estudo sobre o crack na Grande Belo Horizonte, observou:

- Mas o desafio será grande porque existem dificuldades clínicas para identificar o problema. A dependência é muito maior do que a de outras drogas e o saber sobre o crack no Brasil ainda é incipiente.

Há exatos dez meses, teve início a Ação Multidisciplinar Centro Legal, da Prefeitura de São Paulo, esforço concentrado de técnicos da Saúde, Assistência Social e de policiais para atuar de forma concentrada e ininterrupta na região da cracolândia. Foi feito um censo que deu nome a todos os dependentes que vivem na região. São 442. Se considerar aqueles que vagam dias pelo local para usar a droga, a população pode ser multiplicada por cinco. Diariamente, mais de 160 agentes comunitários realizam, em média, 300 abordagens para convencer esse grupo a procurar ajuda. Em dez meses, foram mais de 87 mil abordagens.

Houve 4.463 encaminhamentos a unidades de saúde e 240 internações. Apesar disso, não há números oficiais de pessoas que deixaram o vício. O médico Antônio Sérgio Gonçalves, gerente do Caps AD centro, afirmou:

- É diferente da infecção, que pode ser curada. O dependente terá de administrar para sempre o vazio deixado pelo crack.

Um dos efeitos visíveis do programa foi que a concentração dos agentes públicos na região acabou dispersando os dependentes para outros bairros da região central. Se no começo eles circulavam entre Campos Elísios e República, agora estão também em Santa Cecília e Higienópolis.

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