Garoto vai aos EUA para conhecer doadora de medula

Doadora de medula que salvou a vida do menino mora na Flórida. João sonha em ser bombeiro e sofreu de leucemia durante três anos.

Fonte: Globo.comAtualizado: sexta-feira, 19 de setembro de 2014 19:37
Instituto foi criado em outubro de Instituto foi criado em outubro de 2013 para ajudar no combate ao câncer2013 para ajudar no combate ao câncer
Instituto foi criado em outubro de Instituto foi criado em outubro de 2013 para ajudar no combate ao câncer2013 para ajudar no combate ao câncer

O menino João Bombeirinho, que passou por um transplante de medula óssea em outubro de 2012, terá a chance de agradecer a doadora pessoalmente. A jovem tem 22 anos e mora em Miami, no estado da Flórida. O gesto de solidariedade dela salvou a vida de João, que sofreu de leucemia durante três anos. O menino ficou conhecido pelo sonho de se tornar um bombeiro. O encontro foi custeado pelo presidente da Fundação Icla da Silva, Airam da Silva. A fundação é referência no recrutamento de doadores de medula óssea nos Estados Unidos. O encontro será durante em uma cerimônia de gala, em Manhattan, Nova York, no dia 15 de outubro. João irá acompanhado dos pais.

"Além de salvar a vida do meu filho, ela [a doadora] deu um exemplo de cidadania, de não hesitar em ajudar as pessoas. Se não fosse ela, meu filho talvez nem tivesse aqui", relatou a mãe Ana Paula Stevam. Segundo Ana, o filho não fala em outra coisa a não ser sobre a viagem. "Ele está ansioso, aliás, todos nós não vemos a hora desse encontro, que eu tenho certeza que será muito emocionante, acontecer", acrescentou a mãe.

A doadora americana estuda enfermagem. Ela já tinha se comunicado com a família de João por telefone uma única vez. "Ela comentou que quando recebeu a ligação para fazer a doação, correu para o hospital. Disse ainda que quando soube das características do João, doaria mais um milhão de vezes se fosse necessário", contou Stevam.

"Proporcionar esse encontro é algo de grande importância para mim. É o resultado de um sonho de poder salvar crianças e adultos que precisam de doadores de medula", disse Airam.

A instituição Icla da Silva foi criada em 1992, em memória à morte por leucemia da adolescente brasileira Icla da Silva, natural de Maceió. Como à época não havia cadastro de doadores no Brasil, a família decidiu mudar-se para Nova York para tentar um doador, mas Icla acabou morrendo. Como o número de doadores aumentou após a campanha, a família decidiu criar a fundação no mesmo local.
 
Conforme Airam, a coleta de material genético para testar a compatibilidade de medula é diferente da técnica utilizada no Brasil. O material é colhido com uma haste semelhante a de um cotonete na parte bucal. No Brasil, a coleta é feita somente através de amostras de sangue.

A família descobriu que João tinha leucemia em 2007. Com a ajuda de amigos e familiares, João Bombeirinho atuou no combate ao câncer com a realização de campanhas para convencer as pessoas a entrar para o cadastro de doadores de medula. Em outubro de 2010, após uma semana sessões de quimioterapia, os bombeiros de Maringá realizaram um dos sonhos do menino - vestido com a réplica do uniforme da corporação ele foi 'resgatado' do quarto do Hospital do Câncer de Maringá a bordo da escada da equipe de resgate.

Vida normal
Desde o transplante, realizado com sucesso pelos médicos do Hospital de Clínicas (HC), em Curitiba, João adquiriu algumas bactérias e apresentou reação à medula, mas vive uma vida normal. " Ele está bem, já tirou o catéter, e vive uma vida como qualquer criança", destaca Ana Paula.

A rotina do menino começa às 10h. Ele aproveita a manhã para brincar e colocar as lições da escola em dia. Às 12h50 ele vai para a escola e retorna às 18h. A alimentação é regrada com frutas e com poucos doces. Entre os brinquedos preferidos do menino estão carrinhos de bombeiro e videogame. Com a retirada do catéter, explica a mãe, ele poderá fazer coisas que o impediam antes como, por exemplo, andar de bicicleta e jogar futebol.

Apesar da boa recuperação, o câncer de João só poderá ser tido como curado cinco anos após o transplante, conforme os médicos. No dia 24 de outubro, o procedimento completa dois anos.

Instituto João Bombeirinho
Um ano após a cirurgia, em outubro de 2013, Ana Paula criou o Instituto João Bombeirinho. O objetivo, segundo ela, foi trabalhar na criação de campanhas para informar e incentivar a doação de medula óssea no Brasil. Para ela, as pessoas ainda sabem muito pouco sobre o procedimento e a doença.

O Instituto funciona com 12 voluntários. Um deles é o João, que sempre que pode participa das palestras. "Ele adora, mas como se dedica bastante aos estudos, quase que não sobra muito tempo", conta a mãe.

 
Paraná é referência
O número de voluntários cadastrados para doar medula óssea em todo o Paraná atualmente é de 400 mil. Segundo a Secretaria Estadual de Saúde, até fevereiro deste ano o estado liderava a lista de voluntários no país, que passa de 3 milhões de pessoas. A média de cadastro semanal nos bancos de sangue do estado é de 600 pessoas. O cadastro pode ser feito em qualquer banco de sangue. Somente na rede do Centro de Hematologia e Hemoterapia do Paraná (Hemepar) são 22 postos.
 

O Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea foi criado em 1993, passando a funcionar no Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva - INCA, a partir 1998.

Para efetuar o cadastro, o candidato deverá apresentar um documento oficial de identidade com foto. O voluntário não pode ser usuário de drogas e não ter tido nenhum tipo de câncer ou doença hematológica, mesmo que já estejam curados. No momento do cadastro serão coletados de 5 ml a 10 ml de sangue. Não é necessário estar em jejum, porém, é preciso evitar alimentos gordurosos nas quatro horas que antecedem a coleta.

Se for verificada compatibilidade com algum paciente cadastrado o doador é, então, convocado para fazer testes confirmatórios e realizar o procedimento.

 
Siga-nos

Mais do Guiame

O Guiame utiliza cookies e outras tecnologias semelhantes para melhorar a sua experiência acordo com a nossa Politica de privacidade e, ao continuar navegando você concorda com essas condições