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Grampo mostra foragido ensinando a superfaturar

Grampo mostra foragido ensinando a superfaturar

Atualizado: Sábado, 13 Agosto de 2011 as 10:13

Conversas telefônicas interceptadas na Operação Voucher da Polícia Federal mostram investigados falando sobre como superfaturar e até falsificar documentos em licitações com o governo, informa reportagem de   Matheus Leitão ,   Cátia Seabra ,   Dimmi Amora ,   Breno Costa   e   Maria Clara Cabral , publicada na   Folha   deste sábado.

Nas conversas, os suspeitos de integrar o esquema chegam a afirmar que "quando o dinheiro é público não pesa no bolso" e apontam Brasília como um paraíso para obtenção de facilidades: "Mandou para Brasília, ficou fácil", diz uma investigada.

Ouça aqui trechos das conversas gravadas pela PF

Em conversa gravada com autorização judicial, em 21 de junho de 2011, o empresário Humberto Silva Gomes diz a um interlocutor que no Brasil "o governo paga e quer que você apenas gaste direitinho, ele não quer um retorno."

Ele é sócio da Barbalho Reis, uma das empresas suspeitas de integrar o esquema, e está foragido da PF.

INVESTIGAÇÃO

A Operação Voucher, deflagrada no último dia 9 pela Polícia Federal, investiga um suposto esquema de desvios relacionados a convênio firmado entre a ONG Ibrasi (Instituto Brasileiro de Desenvolvimento de Infraestrutura Sustentável) e o Ministério do Turismo para capacitação profissional no Amapá.

Ao todo, 36 pessoas foram presas na operação em Brasília, São Paulo e no Amapá, incluindo o atual secretário-executivo do ministério, Frederico Silva da Costa, que está na pasta desde 2003. Dezoito delas foram liberadas na quarta-feira (10), após prestarem depoimento.

As investigações, que começaram em abril deste ano, apontam que os R$ 4 milhões do Ministério do Turismo que deveriam treinar pessoas no Amapá foram desviados por meio de todo o tipo de fraude, incluindo ONG de fachada, notas fiscais falsas e a conivência de funcionários públicos.

Na sexta-feira, o juiz federal do TRF-1 (Tribunal Regional Federal) da 1ª Região, Guilherme Mendonça, concedeu liminar para soltar   16 dos 18   que ainda continuavam presos, incluindo Costa.    

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