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Água já chega a meio metro de altura nesta noite em Três Vendas, no RJ

Água já chega a meio metro de altura nesta noite em Três Vendas, no RJ

Atualizado: Sexta-feira, 6 Janeiro de 2012 as 8:04

A água vai tomando lentamente as ruas próximas à Rodovia BR-356, na noite desta quinta-feira (5), na comunidade de Três Vendas, em Campos dos Goytacazes, na Região Norte Fluminense. Pela manhã, um dique se rompeu na rodovia , onde foi formada uma cratera de 20 metros, abrindo caminho para o transbordamento do Rio Muriaé. Por volta das 20h, a água já atingia 50 cm de altura.

Água vai tomando lentamente as ruas de Três Vendas, em Campos (Foto: Lilian Quaino / G1)

Cerca de mil famílias moram na comunidade. De acordo com a prefeitura de Campos, até o início desta noite, 300 famílias foram retiradas da região. Com a noite quente e sem chuva, quem preferiu ficar em casa em vez de seguir para abrigos da prefeitura ainda aproveitava para levar móveis para o segundo andar ou assistia do alto de um muro a água subir.

Moradores tentam se proteger da inundação no

alto das casas (Foto: Lilian Quaino / G1) O comandante-adjunto da Defesa Civil de Campos, Edson Pessanha, confirmou que muitas famílias preferiram ficar em suas casas, principalmente as que moram em casas de dois ou mais andares e se sentiram seguras ficando com seus pertences nos andares superiores.

"Temos que respeitar, embora haja um certo risco, pois não sabemos o quanto a água poderia afetar as estruturas das casas. Por isso, técnicos da Defesa Civil, que estão de plantão no local, estão monitorando especialmente essas casas em que os moradores insistem em ficar para que, se houver necessidade, eles possas ser retirados com a maior rapidez possível", disse.

A expectativa da Defesa Civil é que a água possa atingir 2 metros de altura na manhã de sexta-feira (7), ao contrário da previsão dada inicialmente, de que as casas já tivessem sido atingidas às 16h desta quinta-feira .

Casal diz que vai sair

Quem mora em casas térreas aceitou a ajuda de bombeiros para carregar caminhões com móveis e seguir de mudança provisória para a casa de parentes ou para abrigos da prefeitura. Apesar das nuvens, a tarde foi de céu claro, sol e calor em Campos.

Casal com a filha de 11 meses nos braços foi para

estrada ver estragos de rompimento de dique em

Campos (Foto: Lilian Quaino/G1) Tatiana Pessanha, com a filha Jamile, de 11 meses, nos braços, e o marido Lucas Florbelis, olhavam o trecho da estrada rompido, e as águas que avançavam. "Viemos ver se é grave mesmo para ver se temos que sair de casa. Já vi que vamos fazer ter que sair sim. Mas vamos para casa de parentes num local mais alto", disse.

Em 2008, quando ainda não estavam casados, eles também tiveram de sair de suas casas por causa da enchente causada também pelo desmoronamento daquele trecho da estrada. Tatiana foi para casa de parentes e Lucas teve que acampar num morro até ser acolhido por um primo.

O dono de um bar bem na entrada de Três Vendas encheu um caminhão com mercadorias para sair do local que deverá ser alagado. A Prefeitura de Campos coloca pedras na entrada da comunidade para tentar conter a água do Rio Muriaé, que ameaça invadir o local após o rompimento de um trecho da BR-356.

Caminhão joga pedras para formar muro e tentar barrar avanço das águas de dique rompido (Foto: Lilian Quaino/G1) Rio Muriaé transborda

Agentes da Defesa Civil disseram ainda que adiante do ponto onde ocorreu o rompimento da estrada existem mais três pontos de alto risco de desmoronamento, porque o acúmulo de água está causando assoreamento. Segundo o vice-prefeito de Campos, Francisco Oliveira, em 2008, a estrada se rompeu no mesmo trecho e toda a comunidade teve de ser evacuada. "O Dnit recuperou o trecho e em dois meses os moradores voltaram. Agora ruiu de novo. Estamos aguardando a equipe do Dnit para saber quais serão as providências", disse ele, acrescentando que em Campos há 620 desabrigados enquanto que em 2008 foram 20 mil.

Segundo o Dnit, a BR-356/RJ, no local da ruptura do corpo estradal, vem funcionando como um dique – sem nunca ter sido projetada para este fim. O órgaõ diz que recuperou o asfalto da rodovia – neste trecho - em 2010/2011, e foram instaladas manilhas que tinham como objetivo permitir a passagem de água de chuva e não dar vazão às águas da cheia do rio Muriaé.

Nesta quinta-feira, o Ministério da Integração Nacional e o governo do estado do Rio liberaram uma verba de R$ 40 milhões para construção um extravasor de cheias do Rio Muriaé, obra que será realizada no município de Laje do Muriaé, no Noroeste Fluminense. A obra, de acordo com o prefeito José Eliezer Tostes Pinto, vai acabar com as inundações na cidade e vai beneficiar diretamente cerca de 20 mil moradores.

Em Itaperuna, a prefeitura da cidade calcula que 5 mil pessoas estão desalojadas e outras 60, desabrigadas. Segundo o coordenador da Defesa Civil do município, capitão Joelson Oliveira, a água subiu 1,3 metros acima do limite no Rio Muriaé.          

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