Homem gritou por socorro durante 4 h após deslizamento em Sapucaia

Homem gritou por socorro durante 4 h após deslizamento

Fonte: Atualizado: sábado, 31 de maio de 2014 09:17

Com os olhos fixos nos escombros do deslizamento, ocorrido no Distrito de Jamapará, em Sapucaia, no Centro-Sul Fluminense, na segunda-feira (9), a atendente de posto de gasolina Renata Dias, de 26 anos, faz vigília no segundo andar em uma das casas interditadas na Rua Marechal Floriano Peixoto.
Renata perdeu o ex-marido – que só virou ex há três meses. Ela contou que Pablo Antônio de Carvalho, que tinha 28 anos e era mecânico, gritou por socorro até as 7h desta segunda. O deslizamento ocorreu por volta das 3h.
“Ele ficou até as 7h pedindo ajuda. O pai dele disse que ele falava 'pai, me ajuda'. Mas ele não conseguia identificar onde o filho estava. Os vizinhos tentaram mexer para procurar, mas é muita pedra e muita terra", contou ela.

Atualmente Renata mora em Sapucaia,  a cerca de 20 quilômetros de Jamapará. Ela tem dois  filhos com Pablo, um menino que completará 6 anos na próxima segunda-feira (16) e uma menina de 4 anos. Renata pretende ficar no local do deslizamento até que encontrem o corpo do ex-marido.
Ela também contou que no momento da tragédia, Pablo estava com dois tios e um primo. Os três corpos já foram encontrados. “Não vou sair daqui enquanto não acharem”, disse ela.

A atendente ainda contou que o pai do ex-marido está em estado de choque. Além do filho, ele perdeu uma irmã, o sobrinho e um cunhado.


Defesa Civil diminui efetivo
O secretário estadual  da Defesa Civil, Sérgio Simões,  que acompanha as buscas desde as 10h de segunda-feira, afirmou ao G1 que as equipes irão virar a madrugada pelas buscas dos corpos. Ele estima em 17 o número de vítimas ainda soterradas, mas diz que esta estimativa pode variar.


“ A gente vai ficar aqui até terminar. Amanhã entrará uma nova equipe. Eu constatei que não vai precisar de um número tão grande de gente, vamos diminuir porque o trabalho é muito pontual", afirmou Simõees.
Segundo o secretário, nesta terça-feira (10), o número de bombeiros cairá de 70 para 25. Além  disso, uma nova máquina deve chegar para auxiliar nas buscas. Ele explicou que é uma espécie de britadeira para conseguir quebrar as imensas rochas que existem no local. Simões ressaltou ainda que a região não era considerada de risco, o que aumenta a discussão sobre moradias próximas às encostas.

Ainda segundo o secretário, Jamapará entra para o mapa de regiões que necessitam de um sistema de alertas contra deslizamentos. "É uma história que se repete,  porque foi de madrugada, quando as pessoas estão mais indefesas. É esse cenário de tristeza, cada corpo que sai,  é uma comoção”, concluiu Sérgio Simões, que acrescentou que acredita que os trabalho dos bombeiros deve durar de 2 a 4 dias.

Vidas perdidas
Estudante de direito,  Aderbal de Almeida Melo trabalhava em um bar próximo ao local do deslizamento. Durante toda a segunda-feira (9), ele passou servindo amigos e parentes das vítimas da tragédia.
"Conhecia todas as pessoas. Aqui todo mundo se conhece",  disse ele.

Entre os soterrados, segundo ele, estava o caminhoneiro Sérgio, que passava mais de 20 dias fora de casa e só ficava emJamapará por no máximo dois dias. 
"Ele chegou em casa 1h e o deslizamento foi às 3h. Morreu ele, a mulher e o filho Thiago, que também estudava direito em Juiz de Fora e só vinha para casa no final de semana", contou Aderbal. 
Outra vítima da tragédia, que ele também conheceu, se chamava Lívia.  


“Ela estava estudando psicologia no Rio e também vinha pouco para cá. Na hora do deslizamento, estavam em casa, ela, a mãe, o pai, a avó e mais dois rapazes, que eram  vizinhos, que tinham ido lá para ajudar, porque a encosta estava desabando", disse o estudante.
Aderbal contou que acordou por volta das 4h30 com gritos nas ruas. Ele ainda contou que uma menina de 2 anos morreu com o avô no deslizamento. A mãe e a vó dela se salvaram.


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