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Irmã de vítima morta por grupo de extermínio chora em julgamento

Irmã de vítima morta por grupo de extermínio chora em julgamento

Atualizado: Quinta-feira, 17 Março de 2011 as 3:47

A irmã de um dos mortos em 2008 pelo suposto grupo de extermínio formado por policiais militares de São Paulo, intitulado de "highlanders”, chorou nesta quinta-feira (17) durante o seu depoimento no julgamento do caso, no Fórum de Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo.

Dois PMs estão no banco dos réus e são julgados por sete jurados se são culpados ou inocentes da acusação de que mataram o irmão da mulher e outro homem. Após a decisão, o juiz dará a sentença. A expectativa é que ela ocorra à noite.

“Meu irmão falava que era constantemente ameaçado de morte pelos policiais militares”, disse Missele Campos Gomes, irmã de Roberth Sandro Campos Gomes, o Maranhão, que teve o corpo encontrado sem a cabeça após desaparecer de casa em São Paulo. Ele tinha passagens pela polícia por porte ilegal de arma.     Missele emocionou o júri, composto por quatro homens e três mulheres, ao chorar no seu depoimento como uma das testemunhas de acusação contra os policiais João Bernardo da Silva e Jorge Kazuo Takiguti. Os dois que pertenciam a Força Tática do 37º Batalhão da PM, na Zona Sul da capital paulista, são acusados de matar Maranhão e Roberto Aparecido Ferreira, o Bebê, que não tinha passagens pela polícia, em 6 de maio de 2008.

As vítimas moravam na capital, mas foram achadas mortas em Itapecerica da Serra.

Apesar de a defesa dos réus sustentar que eles são inocentes das acusações, os dois estão presos preventivamente desde 2009 no presídio da PM, o Romão Gomes, em São Paulo. Ambos compareceram ao julgamento.

O processo que apura a morte de Maranhão e Bebê também aponta o envolvimento de mais quatro policias militares nos crimes. Também são réus presos: Marcos Aurélio Pereira Lima, Ronaldo dos Reis Santos, Rodolfo da Silva Vieira e Jonas Santos Bento. Este último, Bento, ia ser julgado nesta quinta, mas como seu advogado falou à audiência o júri dele ocorrerá em 1º de novembro. Por esse motivo, ele, que também nega o crime, foi retirado da sala e levado ao presídio.

Os outros três policiais militares citados acima, Lima, Santos e Vieira, confessaram participação na morte de Macarrão e Bebê e serão julgados em 15 de setembro.

Esse processo que segue em Itapecerica é o segundo envolvendo o grupo conhecido como "highlanders". Vieira e outros três policiais militares já foram julgados e condenados em julho de 2010 a 18 anos e oito meses de prisão pela morte de um deficiente mental. Os "highlanders" só foram identificados depois do desaparecimento dessa vítima. Ela foi vista por testemunhas sendo colocada em um carro da PM em outubro de 2008. O corpo dele foi localizado dois dias depois sem a cabeça e as mãos.

Até agora, nove réus estão presos acusados de integrar o grupo de extermínio e de matar três pessoas. O nome "highlander" surgiu em alusão ao filme estrelado por Christopher Lambert e Sean Connery na década de 80, no qual os guerreiros cortavam a cabeça de seus inimigos. Segundo a Polícia Civil, que investigou o crime, a cabeça e as mãos das vítimas eram cortadas pelos policiais militares para dificultar a identificação.

De acordo com o Ministério Público, neste novo processo que é julgado nesta quinta os policiais são acusados de usar um carro da PM e um carro particular para abordar as duas vítimas no bairro do Capão Redondo, na Zona Sul de São Paulo, e matá-las em Itapecerica. Eles são acusados de atar as mãos das vítimas e desferir golpes com instrumento cortante nas suas costas e na barriga de um deles. Depois cortaram as cabeças deles. Os corpos foram achados num córrego.

De acordo com a denúncia feita pela Promotoria, as vítimas foram mortas porque “estariam envolvidas em atividades espúrias [tráfico de entorpecentes] e fariam parte de uma facção criminosa”.

Testemunhas de acusação

A irmã de Maranhão foi a segunda testemunha de acusação a depor. Ela foi ouvida pelo juiz Antonio Augusto Galvão Hristov, pelo promotor Vitor Petri e pelo advogado de defesa dos réus, Celso Machado Vendramini.

Misseli falou na presença de Silva e de réus e acusou Silva de confessar a ela que matou seu irmão durante um protesto promovido pela família da vítima para denunciar seu sumiço após abordagem policial. “Ele [Silva] me pegou pelo braço uma vez, dois dias após meu irmão sumir. Me ameaçou. Falou para mim que se eu não parasse com o protesto que daria um jeito em mim como deu em meu irmão’, disse Misseli.

A primeira testemunha a ser ouvida foi Angélica Ferreira da Silva, que confirmou ter visto as vítimas serem levadas pelos policiais militares. Ela também reconheceu Takiguti como um desses PMs. “Sei que foi ele por causa da cicatriz que ele tem no pescoço”.

O delegado Pedro Buk, que indicou os policiais militares pelo assassinato de Maranhão e Bebê, também foi ouvido e afirmou que provas testemunhas no inquérito demonstraram que Silva e Takiguti cometeram os crimes.

Testemunhas de defesa

A mulher de Takiguti e a noiva de Jonas também foram ouvidas, mas na condição de testemunhas de defesa. Elas alegaram que os réus não estavam trabalhando no dia dos assassinatos.    

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