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Marido de falsa psicóloga será intimado nesta segunda-feira

Marido de falsa psicóloga será intimado nesta segunda-feira

Atualizado: Segunda-feira, 9 Maio de 2011 as 11:05

Falsa psicóloga voltou a ser presa no sábado (7) (Foto: Reprodução / TV Globo)

  Será intimado nesta segunda-feira (9) o marido da falsa psicóloga que atendia crianças autistas há mais de dez anos. A informação é do delegado Maurício Luciano Almeida e Silva, da Delegacia do Consumidor (Decon). Segundo ele, o homem irá prestar depoimento na próxima quarta-feira (11).

O marido da falsa psicóloga pode ser indiciado como co-autor dos crimes. De acordo com o delegado, ele tinha conhecimento dos atos da mulher e coordenava a parte financeira dos negócios.

  Presa novamente

A falsa psicóloga que atendia crianças autistas numa clínica em Botafogo, na Zona Sul do Rio, voltou a ser presa na manhã de sábado (7). Segundo o titular da Decon, um  mandado de prisão temporária por 30 dias foi expedido pelo plantão do Tribunal do Justiça, na noite de sexta-feira (6). Um dia antes, a polícia já havia informado que a suspeita vai responder pelo crime de tortura . A suspeita também será indiciada por estelionato, propaganda enganosa e exercício ilegal da profissão.

"Como a tortura é um crime hediondo, pedimos a prisão. Como havia também a necessidade de coleta de provas, para resguardar o êxito das investigações, pedimos também a busca e apreensão de documentos e dinheiro que comprovem a movimentação financeira dela. A prisão também é para que pais e terapeutas se sintam mais seguros para contar tudo que sabem", explica o delegado. 

A suspeita foi presa num imóvel na Barra da Tijuca, na Zona Oeste, que, segundo ela, pertence a sua mãe. Outros dois imóveis, um no Méier, onde reside o pai da suspeita, e outro em Botafogo, que seria a sua própria residência, também foram vasculhados pela polícia. Na Barra, a polícia encontrou cerca de R$ 3.500, valor considerado pequeno pelo delegado.

Quebra do sigilo bancário e fiscal

"Vamos pedir a quebra do sigilo bancário e fiscal dela, do marido e da clínica que ela tinha. Sabemos, por exemplo, que ela arrecadou cerca de R$ 800 mil com os pais que foram à delegacia noticiar os fatos. Esse valor é apenas de 3 anos para cá e de um grupo pequeno de pais que foram atendidos por ela. Teve um pai que contou que gastou R$ 270 mil com o tratamento do filho. Sabemos também que ela arrecadou R$ 500 com os convênios com a Marinha e a Aeronáutica", disse o delegado, na época.     O delegado informou ainda que a falsa psicóloga não costumava dar recibo aos pais pelos serviços prestados. "Vamos checar também o imposto de renda, porque ela era uma sonegadora. Sabemos também que não assinava carteira de nenhum terapeuta contratado por ela. Eles eram prestadores de serviço, recebiam em dinheiro vivo ou com depósito em conta", detallhou o titular. 

Tratamento agressivo

Segundo relatos de testemunhas à polícia, a suspeita usava tratamentos agressivos para fazer com que as crianças autistas que travava se alimentassem.

“Ela dispensava um tratamento de intervenção familiar que não é correto. Terapeutas relataram em depoimento que ela imobilizava as crianças, amarrando pernas e braços para fazer com que elas comessem. Em alguns casos, cobria a boca das crianças para que elas não cuspissem a comida”, descreveu o delegado.

Ainda de acordo com Maurício Luciano, uma das funcionárias interrogadas chegou a dizer em depoimento que “sentia que o propósito era que as crianças não melhorassem e que os pais se eternizassem pagando as consultas”.

Entenda o caso

A falsa psicóloga foi presa em flagrante no dia 27 de abril. De acordo com as investigações , ela não possui graduação em curso superior, nem especialização em psicologia.

Segundo a polícia, ela atuava há 12 anos e atualmente ‘tratava’ cerca de 60 pacientes. Imagens feitas no centro de tratamento mostram a suspeita conversando com uma delegada, pensando se tratar da mãe de um futuro paciente.

De acordo com a polícia, ela cobrava, em média, R$ 90 por hora. Na delegacia, segundo a polícia, a falsa psicóloga disse informalmente só ter cursado dois períodos da faculdade de psicologia.          

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