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'Minha filha cheia de vida foi embora', diz pai de menina morta por dengue

'Minha filha cheia de vida foi embora', diz pai de menina morta por dengue

Atualizado: Quinta-feira, 10 Fevereiro de 2011 as 1:58

“Minha filha mais velha, minha primeira filha, meu amor, cheia de vida, de alegria, foi embora”, lamenta Lucenir Miranda Soares, pai de Laís Melo Miranda Soares, que morreu de dengue hemorrágica no dia que completaria 10 anos.     A menina foi internada no dia 26 de dezembro, num hospital particular em Niterói, na Região Metropolitana do Rio. Laís morreu na última terça-feira (8). Mas como ela adoeceu no fim do ano passado, a Secretaria estadual de Saúde decidiu incluir o caso nas estatísticas de 2010.

Lucenir não se conforma com a morte da menina. Ela ficou dois dias em sua casa e, depois, começou a passar mal. Próximo ao quarto dela, em São Gonçalo, também na Região Metropolitana, havia focos de mosquito. Segundo a família, o pedido de vistoria da Vigilância Ambiental de São Gonçalo foi feito em novembro de 2010, mas a visita dos agentes só foi feita há dez dias.

Agentes encontraram focos em condomínio

“Procurei o órgão para fazer a fiscalização e disseram que não tinham viatura. Nós aqui do bloco (do condomínio) nos oferecemos para trazer o pessoal, mas eles falaram que não podiam. Fui no dia 8 de novembro, mas eles vieram agora, dez dias atrás”, contou o pai.

Ainda de acordo com Lucenir, mesmo encontrando focos de criadouros de dengue, os fiscais não notificaram e nem multaram o condomínio. Há pontos onde a água fica sempre empoçada, mesmo que sem chuva recente, porque não há por onde escoar. A vala com água parada fica a menos de dez metros da janela do quarto que era de Laís.

Vizinhos vivem preocupados com medo de serem as próximas vítimas. O sobrinho de uma delas, um menino de 10 anos, foi internado com dengue, recentemente.

Número de casos no RJ dobrou

No mês de janeiro, o número de casos de dengue no estado do Rio dobrou em comparação ao mesmo período de 2010, segundo dados da Secretaria estadual de Saúde. No ano passado, foram notificados 1.447 casos, número que pulou para 3.069 casos este ano. A situação deixou o o estado em alerta.

Segundo o superintendente de vigilância ambiental e epidemiológica da Secretaria estadual de Saúde, Alexandre Chieppe, normalmente, no verão, as ações de combate à dengue aumentam. Na comparação entre janeiro deste ano e o mesmo mês no ano passado foram 155 casos de dengue com complicação, 28 de dengue hemorrágica e existem ainda seis mortes suspeitas sob investigação.

De acordo com ele, a secretaria tem uma equipe que se desloca para localidades de maior risco ou onde há casos mais graves, que fazem uma avaliação e intensificam as ações de combate ao mosquito em complemento às ações desenvolvida pelos municípios.    

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