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Moradores cogitam voltar a construir em área arrasada de Teresópolis

Moradores cogitam voltar a construir em área arrasada de Teresópolis

Atualizado: Terça-feira, 18 Janeiro de 2011 as 11:50

Embora alguns digam ter medo, diversos moradores de um bairro de Teresópolis, na Região Serrana do Rio,cogitam voltar a construir nos locais onde suas casas foram severamente atingidas pelos deslizamentos da última quarta-feira (12) - inclusive em áreas condenadas pela Defesa Civil.

O pintor Anderson Magalhães, 33 anos, deveria ter se mudado para sua casa nova, que construiu no bairro do Féo, no último sábado (15). “Só faltava bater a laje, que já estava lá, comprada”, disse à BBC Brasil. No entanto, a chuva e os deslizamentos da quarta anterior arruinaram a sua nova moradia, que teve o andar de baixo totalmente engolido pela lama que desceu do morro. “Ficaram cinco sacos de cimento lá, foi o que restou da minha obra.”   Anderson mora de aluguel no mesmo bairro, em uma casa localizada em um ponto mais seguro. Agora, ele afirma que quer se mudar para outra zona da cidade, mas acha difícil conseguir outro lugar para morar. “'Se não tiver saída, eu, com certeza, pego o dinheiro do FGTS e volto pra minha casa no Féo”, diz ele, que continua: “Vou lá, bato a laje na parte de cima, esqueço a parte de baixo e volto”.

Barreira contra a lama

Outro morador do Féo, o pedreiro Leonardo Caldeira Mizael, 31 anos, tinha sua casa situada alguns metros acima da de Anderson. Leonardo diz que a sua moradia serviu como uma barreira que impediu a lama e os destroços de arrasarem com muitas casas outras abaixo. “Vi até carro voando aqui do lado”, afirma ele, que diz que sua casa serviu de barreira para a lama e os destroços.   Ele se mostra cético com a possibilidade de ganhar recursos do governo para construir outra casa. “Conheço gente no (bairro do) Perpétuo que perdeu tudo na outra enchente (ocorrida em 2002) e até hoje não ganhou nada.”

Leonardo estava ampliando a sua casa, construindo outros quartos no andar de cima, mas seus planos ficaram em suspenso: a Defesa Civil mandou ele, a mulher e dois filhos saírem do local. “A Defesa Civil veio aqui e disse que a casa estava condenada, mas eles também não dão um lugar pra gente ficar”, afirma. “Certamente quero continuar construindo, e espero ajuda do governo e da prefeitura.”

O pedreiro afirma que, se a administração municipal não fizer nada, a própria comunidade vai começar a efetuar a limpeza do barro na semana que vem. Depois disso, a reconstrução das casas é uma questão de tempo.

'Tentar de novo'

O porteiro Giovane de Souza, 33 anos, e sua mulher, a vendedora Vera de Fátima Machado da Silva, tiveram parte da sua casa destruída pela avalanche que atingiu o Féo na última quarta-feira. Segundo Giovane, duas paredes da parte de baixo da casa ruíram com o impacto da lama.   No entanto, Vera afirma que as fundações da sua residência não apresentam danos sérios, nem sequer rachaduras. “Até os vidros das janelas da parte de cima ficaram inteiros”, diz.

Giovane e Vera se mostram reticentes de continuar em sua casa. No entanto, a exemplo dos seus vizinhos, o casal não pretende esperar muito tempo para voltar a ter uma casa - nem que seja no mesmo local de antes. “Eu estou pensando nisso. Vou dar um tempo e ver o que acontece. Querer, eu não quero (ficar), mas não sei se tem saída”, afirma Vera. “Se a prefeitura demorar muito, o negócio é a gente ir lá e tentar de novo.”

Poder público

O coordenador do 3º Centro de Apoio das Promotorias de Justiça Cíveis do Ministério Público do Rio, Leônidas Filippone, afirma que, pela experiência de casos anteriores, é sabido que pode ocorrer a reocupação de locais que estejam em risco.

“Estamos articulando com as prefeituras para que ela use poder de polícia para tomar medidas preventivas, para que casas desocupadas sejam interditadas e para evitar o retorno das pessoas”, afirma. A reportagem da BBC Brasil entrou em contato com a prefeitura de Teresópolis para se manifestar a respeito do assunto, mas não obteve retorno.    

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